Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 19/09/2024
Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante à vida e à saúde. Todavia, desinformação sobre prevenção do suicídio impede que a sociedade vivencie o direito assegurado pela ONU. Assim, há de se combater o silêncio social, bem como a omissão estatal.
Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada”, que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há alguns temas sociais banidos do debate coletivo. Sob essa lógica de Sartre, a discussão acerca do suicídio, embora seja relevante para a sociedade brasileira, não recebe devida importância. Tal negligência prejudica indivíduos em situação de vulnerabilidade, haja vista que ausência de projetos sociais, como palestras, nas quais se discute a prevenção do suicídio. Assim, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico dilema do sileciamento social.
Ademais, a omissão do governo motiva indiretamente a persistência da falta de consciência coletiva. Nesse aspecto, Norberto Bobbio - expoente filósofo italiano - afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua na prática. Nesse viés, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas criar políticas públicas que assegurem a saúde e a vida, mas também garantir que pacientes mentais vivenciem os benefícios em seu cotidiano. Essa falta de iniciativa estatal é evidenciada pela carência de projetos voltados à conscientização sobre a saúde mental e a importância do apoio efetivo aos que estão em situação de risco.
É urgente, portanto, que o Ministério da Educação e as escolas - responsáveis pela transformação social - contribuam para desenvolver a conscientização dos indivíduos em relação à prevenção do suicídio, por meio de projetos sociais, como ações comunitárias, a exemplo de palestras educativas e campanhas de sensibilização, que abordem a importância da saúde mental e ofereçam apoio psicológico acessível. Essa iniciativa terá a finalidade de mobilizar o Estado a melhorar o nível de informação e de garantir que o conceito defendido pela ONU seja, em breve, a realidade no Brasil.