Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil

Enviada em 26/09/2024

A Organização Mundial da Saúde definiu como “saúde” o estado de bem-estar físico e mental, não se tratando apenas da ausência de doença. Sendo assim, a questão do suicídio é pertinente no que tange à saúde da população. Nesse contexto, a conscientização sobre o tema encontra obstáculos na mentalidade social e na apresentação inadequada do assunto.

Em primeiro plano, vale destacar que a maneira como a sociedade encara o suicídio dificulta a sua consciencialização. Para a Igreja Católica, por exemplo, o ato de se matar é considerado um pecado imperdoável, o que contribui para a estigmatização dos suicidas. Dessa forma, o suicídio, muitas vezes, é tido como um “tabu” pela sociedade, de modo que se torna um tema silenciado por diversas instituições, como escolas e famílias. Assim, a partir do momento em que o assunto é estigmatizado, as pessoas com pensamentos autodestrutivos se tornam invisíveis perante o corpo social e o problema se perpetua.

Além disso, é válido ressaltar que abordagens equivocadas sobre o autoextermínio podem impossibilitar a compreensão efetiva do assunto. Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde Mental, realizada em 2017, a série “13 Reasons why” estaria associada ao aumento de suicídio entre os jovens nos Estados Unidos. Isso se deu, principalmente, pela forma romantizada que o programa aborda o suicídio, o que instiga aqueles com saúde mental debilitada. Analogamente, abordagens inadequadas do tópico podem aparecer como “gatilhos” para pessoas depressivas, gerando um efeito contrário ao esperado. Sob esse viés, entende-se que, apesar da importância de se discutir sobre a questão, é preciso atentar-se para a forma como ela é abordada nos diversos espaços.

Portanto, a sensibilização sobre o suicídio no Brasil encontra impedimentos no imaginário social sobre o assunto e nas condutas impróprias ao abordar a problemática. Diante disso, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras realizadas por profissionais da saúde mental, promover campanhas de conscientização nas escolas, que aconteçam não somente no mês de setembro, mas também periodicamente. Com isso, tem-se por finalidade combater a estigmatização do tema e permitir que seja abordado de maneira adequada.