Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 01/10/2024
Na série Euphoria da Netflix, a personagem Rue levanta discussões acerca da depressão e dos pensamentos suicidas. A série é conhecida por retratar uma realidade pessimista de uma juventude afundada em problemas de saúde mental, drogas e crime. Os temas retratados assemelham-se com a realidade vivida no Brasil, de forma que é necessário a reflexão sobre motivos, aumento e a falta de auxílio destinado às vítimas da depressão
Em primeiro plano é importante salientar a profundidade do assunto e a amplitude de elementos associados à saúde mental precária. Aspectos sociais, como a masculinidade tóxica e o ambiente familiar refletem nos dados anuais de suicídio, demonstrando impactos além do óbvio. A ideia de associar fraqueza à emoção e ao conceito de feminilidade afeta homens na medida que promove uma negligência à saúde. Além disso, a convivência familiar também contribui para a má saúde mental em situações de disfunção familiar, intolerância religiosa, LGBRQIA+fobia e abusos. Estruturas tóxicas são comuns e sustentam-se com base na ideia de uma privacidade familiar que se sobrepõe à legalidade e favorece a violência e a manutenção de abusos.
É relevante abordar também o a falta de auxílio, associada ao aumento dos casos de suicídio. Como um dos países com mais casos de depressão da América segundo último mapeamento da OMS o Brasil, ironicamente considerado internacionalmente o país da alegria, não assiste uma queda esperada nas estatísticas. Com uma população majoritariamente de renda média e baixa é de se esperar a promoção de tratamentos de qualidade na rede pública de saúde, o que não conduz com a realidade. Considerando dificuldades financeiras e desemprego como fatores que também podem aumentar o risco da doença, o acesso fácil e democrático à saúde é imprescindível para a população.
Portanto, a fim de alcançar uma realidade mais saudável, cabe ao Ministério da Saúde acessibilidade a tratamentos públicos de qualidade, divulgação de recursos como o CVV, palestras e campanhas sobre a importância da saúde mental- inclusive dentro das escolas com auxílio do Ministério da Educação- e a volta de projetos como o Mexa-se na promoção da saúde física, que contribui para a mental.