Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 02/10/2024
De acordo com a pensadora brasileira Djamila Ribeiro, o primeiro passo para solucionar um problema é retirá-lo da invisibilidade. Contudo, no Brasil, a conscientização quanto à prevenção ao suicídio está em segundo plano. Desse modo, é imperioso analisar os fatores que favorecem esse quadro: a negligência estatal e a influência midiática.
Em primeiro lugar, deve-se destacar a ausência de medidas governamentais sobre a problemática. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, fere o “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre seu papel de garantir o direito à vida. Nesse contexto, as últimas décadas foram marcadas por pouco incentivo social, financeiro e emocional à conscientização da população sobre a prevenção ao suicídio. Esse cenário de descaso não pode perdurar, especialmente com o crescimento do número de suicídios no país.
Ademais, a influência dos meios digitais é um fator agravante no que tange ao problema. Para Chimamanda Adichie, mudar o “status quo” — o estado atual das coisas — é sempre penoso. Esse raciocínio pode ser observado no papel que a mídia desempenha ao tratar pessoas com problemas mentais e tentantes de suicídio, geralmente reforçando a ideia de improdutividade e fraqueza desse grupo. Diante disso, são negados a esse público seus anseios, dificuldades, individualidade e o direito à saúde.
Portanto, o Governo Federal, responsável pelo bem-estar da sociedade, deve investir em concursos públicos para a contratação de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, a fim de garantir o atendimento e o apoio emocional de que a população necessita. Paralelamente, as redes sociais e a mídia de massa precisam incluir em suas programações campanhas de conscientização sobre o suicídio. Assim, será possível solucionar essa questão, pois ela será retirada do cenário de invisibilidade, como propõe Djamila Ribeiro.