Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 17/10/2024
De acordo com Simone de Beauvoir, filósofa francesa, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nesse sentido, nota-se que a afirmação da pensadora se concretiza no Brasil, haja vista que a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio é um entrave social banalizado pela contemporaneidade. Logo, convém ressaltar que essa realidade ocorre por conta da negligência governamental e da má influência midiática.
É lícito postular, a princípio, que o descaso do governo contribui para a perpetuação desse problema. Nesse viés, segundo o “Contrato Social”, proposto pelo filósofo inglês John Locke, o Estado tem o dever de garantir o bem-estar social e os direitos dos cidadãos. Todavia, no país, essa ideia não se faz presente, uma vez que as autoridades estatais não promovem políticas eficazes, como a contratação de mais profissionais capacitados e a melhora da infraestrutura, para promover o apoio emocional. Portanto, fica claro que esse cenário precisa ser revertido.
Outrossim, é válido ressaltar que os meios de comunicação e entretenimento criam obstáculos para a superação desse empecilho. Em relação a isso, a série “13 Reasons Why”, de 2017, mostra como a falta de conhecimento e compreensão sobre saúde mental nas plataformas contribui para estigmas que impedem os jovens de falar abertamente sobre suas lutas internas. Por conseguinte, essa ausência de representações precisas e de apoio nas redes sociais pode desencorajar aqueles que precisam de ajuda. Desse modo, é indubitável que deve haver uma melhor referência nas redes.
Diante dos fatores supracitados, fica evidente que medidas precisam ser tomadas para solucionar esse revés. Para isso, o Ministério da Saúde - responsável por dispor de condições para a proteção e recuperação da população - deve promover a sensibilização sobre o apoio emocional, através de campanhas nos serviços de interação social, para que a população tenha acesso ao cuidado necessário. Ademais, os “influencers” precisam incentivar seus seguidores a buscarem ajuda e a falarem sobre seus conflitos internos. Somente assim, a sociedade ficará desabituada a esse cenário.