Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 28/10/2024
O conceito de entropia, da física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne aos desafios para a conscientização social quanto à prevenção do suicídio no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico. Essa afirmação advém do descaso estatal e do estigma social. Com base nisso, mudanças serão necessárias para enfrentar esse desafio.
Dessa forma, é preciso atentar para a negligência estatal em relação à saúde mental e seus impactos sobre as ações de prevenção. Segundo Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos. Nesse sentido, essa problemática encaixa-se perfeitamente nas palavras da Arendt, pois a ausência de políticas públicas eficazes promove o isolamento e impede que indivíduos vulneráveis recebam suporte adequado. Essa correlação fundamenta-se na falta de investimentos em campanhas educativas e no acesso a atendimento psicológico, cuja omissão resulta em um cenário de desamparo. Por conseguinte, pode-se perceber a real dimensão dessa adversidade que vem assolando a nação brasileira.
Além disso, vale ressaltar a estigmatização social como um fator agravante da dificuldade da prevenção. Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é aquele a que nos habituamos”. Essa questão encaixa-se em sua análise, pois percebe-se a ascensão de uma sociedade habituada e preconceituosa sobre a importância dos cuidados mentais, que reflete em uma marginalização promotora do suicídio. Dessa maneira, observa-se que o estigma impede a busca por ajuda e fortalece um ciclo de silêncio e invisibilidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, a necessidade de combater esses problemas agora. Por isso, é fundamental que o governo, por meio de políticas públicas e da ampla divulgação da importância da conscientização social, promova campanhas e estabeleça leis que ofereçam apoio às pessoas em situação de risco, a fim de mitigar os obstáculos para sensibilizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio. Sendo assim, uma ação imediata pode alterar o futuro das cidades brasileiras, promovendo segurança e dignidade para seus habitantes.