Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 23/10/2024
Na música “Conexões de Máfia”, do músico Matuê, é questionado “Pra que ter vida se não vai ser pra ser vivida?”. Nesse sentido, torna-se explícito a necessidade humana de viver plenamente, todavia isso parece inacessível para os indivíduos que sofrem de pensamentos suicidas, visto que a depressão severa torna a morte como algo desejável. Dentre tantos razões sobre tal questão, cita-se o bullying e a alienação midiática
Inicialmente, é lícito postular que intimidação vexatória contribui para que as taxas de suicídio sejam constantes. Nesse contexto, é nítido que os atos humilhantes podem alterar o estado da saúde mental das pessoas, o que agrava a tristeza profunda e gera ideias de automutilação. Sob esse viés, na obra “O Suicídio”, de Durkheim, o autoextermínio é retratado como o resultado de tensões entre o indivíduo e a sociedade, e não apenas de fatores pessoais, demonstrando assim a influência externa presente no ato que encerrar a própria vida. Logo, a humilhação em massa deve ser erradicada.
Em segundo plano, vale ressaltar que a mídia, como método de alienação, agrava tal impasse. Quanto a isso, a campanha “Setembro Amarelo”, criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), voltada para educar a população a respeito do ato de se suicidar, se mostra superficial, pois foca em postagens em redes sociais e se ausenta em ações concretas para prevenir a morte. Nesse cenário, o foco em publicações na mídia gera uma falsa sensação de conscientização, visto que não promove mudanças estruturais na forma como a saúde mental é retratada no Brasil, e não impede que os cidadãos acabem com a própria existência. Sendo assim, as ações sociais precisam adotar melhores métodos pedagógicos
Diante dos fatores supracitados, medidas são necessárias para resolver tal impasse. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento - responsável por garantir a proteção social da população - deve promover a inclusão em centros de ensino, por meio de palestras e conversas com os estudantes, com o fito de reduzir as taxas de bullying presentes no ambiente estudantil. Além disso, o CVV promoverá fisicamente o incentivo a viver. Só assim, a vida poderá ser vivida da maneira em que Matuê se propôs a cantar.