Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 01/05/2025
‘‘Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.’’ A frase de Marina Colasanti retrata como a sociedade tende a normalizar problemas graves. Essa conduta contribui com a permanência de reveses sociais, como a desigualdade de acesso à campanhas de prevenção ao suicídio no Brasil. Logo, é essencial adotar ações para vencer esse desafio, fruto da ineficiência estatal e da exclusão socioespacial.
A princípio, é notória a inoperância institucional como propulsora desse cenário. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal.Todavia, o poder público contraria o autor ao não fornecer suporte contra o suicídio, igualmente, em todas as camadas sociais, de modo que zonas mais pobres tendem a serem negligenciadas, uma vez que o tratamento de doenças mentais, como a depressão, é inacessível nessas localidades. Em face disso, torna-se incontestável a necessidade da atuação estatal na promoção da saúde mental, por meio do fornecimento de tratamento psiquiátrico gratuito aos hipossuficientes.
Ademais, a exclusão socioespacial perpetua o dano como uma mazela pública. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, retrata uma socieade moralmente cega, definida pelo egoísmo e apatia social. Paralelamente, nota-se a indiferença do corpo civil acerca da necessidade de levar a campanha do Setembro Amarelo para comunidades de difícil acesso, a exemplo de aldeias indígenas, tendo em vista que casos de autoextermínio são amplamente apurados nos grandes centros urbanos e subnotificados em regiões com maior ausência do Estado. Diante disso, é inadmissível que a conscientização social contra o autocídio não alcance todos grupos civis, visto que conforme a Constituição brasileira, toda a vida humana importa e deve ser amparada pelo poder público.
Dessarte, alternativas são fulcrais para superar esse desafio. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, monitorador da saúde coletiva, garantir que a campanha do Setembro Amarelo chegue a todos, por meio da amplicação do programa , com o envio de equipes de saúde multiprofissinal para regiões remotas e periféricas, a fim de que haja isonômia na prevenção contra o suicídio. Assim, haverá a normalização de um tecido civil mais justo e igualitário.