Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 26/09/2020
Em 2020, “Gla1ve” - capitão do melhor time do mundo no e-sport “Counter Strike” - tornou-se o primeiro jogador profissional a ser afastado medicamente pelo diagnóstico de Síndrome de Burnout. Devido à gravidade da doença, o time “Astralis” preferiu aceitar o prejuízo estimado em milhares de dólares - por não comparecimento à grandes campeonatos - e aceitou acreditar na ciência para cuidar de seu jogador. Análoga à essa situação, a realidade do mercado de trabalho mundial passa pelo mesmo problema, tal impasse ocorre não só pelo modo como o Capitalismo Selvagem obriga as empresas a pressionarem seus funcionários por resultados mas também pela facilidade do controle fora do horário de trabalho de seu empregado, proporcionado pelo avanço das tecnologias de comunicação.
É relevante abordar, primeiramente, que o Capitalismo Selvagem - termo cunhado por Marx ao analisar a ferocidade do capitalismo que tem como única meta o crescimento econômico, sem se importar com as pessoas - é o responsável por acirrar a competição entre empresas, em prol do lucro. Nesse viés, é lógico aferir que, por conta dessa disputa sem fim, quem de fato sustenta esse sistema, estando exposto a todos os abusos proporcionados por esse mecanismo, terá doenças relacionadas à saúde mental como efeito colateral. Segundo dados da International Stress Management Association - ISMA -, 3 em cada 10 brasileiros sofrem de Burnout, um número alarmante para um distúrbio tão grave. Logo, conclui-se que caso esse cenário mantenha inerte, o próprio sistema econômico entrará em colapso ao não dispor de sua base para que possa continuar em vigência.
Outrossim, além das pressões constantes vivenciadas pelos funcionários nos seus locais de trabalho, o avanço tecnológico da comunicação contribui ainda mais para que o Burnout seja experimentado fora do expediente, através de redes sociais. Dessa forma, cobranças por desempenho ou prazos via Whatsapp, e-mail, Instagram, Linkedin, entre outras, apenas intensifica a sensação de esgotamento de 8 horas diárias para 24 horas por dia, acelerando, como consequência, o processo de afastamento médico, que caso negligenciado, pode provocar doenças ainda mais graves, como a depressão.
Evidencia-se, portanto, que medidas eficazes para solução do Capitalismo Selvagem e do trabalho 24 horas precisam urgentemente serem aplicadas. Primeiramente, o Legislativo deve, através da criação da lei anti-burnout, impor que todas empresas com mais de 30 funcionários contratem uma psicóloga, para que rapidamente a doença possa ser diagnosticada e tratada. Ainda nessa lei, a regulamentação do trabalho fora do expediente deve ser instituída, obrigando todas as empresas a vedarem seus gestores de: cobrar, dar feedbacks ou tratar de assuntos profissionais relevantes fora do expediente. Dessa forma, casos como o de “Gla1ve” não mais trarão prejuízos financeiros e para a saúde pública.