Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 26/09/2020
No século XX, com o surgimento da Terceira Revolução Industrial, os meios de produção e de prestação de serviços foram radicalmente alterados, haja vista que a otimização dos processos produtivos passou a ser o principal objetivo das empresas. Diante disso, tornou-se observável que as pessoas passaram a se empenhar cada vez mais para conseguirem o ingresso no disputado mercado profissional. Em consequência desse processo, muitos problemas surgiram na contemporaneidade, com destaque para a densa rotina de trabalho e para a extensão do tempo de labor para além do período estipulado nos contratos.
Nesse sentido, vale a realização de uma explanação acerca do acumulo de atividades que os indivíduos arrogam para si na atualidade. Hoje, é comum, no Brasil, a prestação de serviços no qual o empregado recebe um salário fixo mais um bônus pelo aumento do seu desempenho durante o mês. Esse modelo de emprego acaba se tornando um combustível para que o proletário se cobre mais e, consequentemente, faça uma quantidade maior de atividades num mesmo tempo, fato que acaba aumentando o desenvolvimento de estresse excessivo no ambiente laboral.
Sobreditas algumas das partes que ladeiam a temática abordada, vale, ainda, mencionar a questão da adição de horas trabalhadas devido a presença das tecnologias digitais. No mundo pós-moderno, com a integração dos aparelhos eletrônicos no dia a dia das pessoas, qualquer indivíduo pode trabalhar em qualquer momento, seja respondendo emails quanto realizando balanços do financeiro de uma firma. Esse cenário tem estendido a rotina de trabalho das empresas para fora do prédio das corporações, gerando, por conseguinte, a interrupção dos breves momentos de descanso e lazer dos funcionários.
Assim sendo, é evidente que existem muitos entraves que circundam a vida dos trabalhadores brasileiros. Portanto, faz-se necessária a criação de medidas que venham a proporcionar o máximo de contentamento possível, parafraseando o filósofo inglês Jeremy Bentham. Logo, urge que o Governo Federal crie incentivos fiscais para as empresas que decidirem remunerar melhor seus empregados, diminuindo gradativamente o modelo de bonificação neomanchesteriano, isso é, pelo aumento de produtividade. Com isso, seria priorizada a saúde mental e física dos trabalhadores. Ademais, é mister que a Justiça do Trabalho crie mecanismos de fiscalização da extensão não contratual do tempo de trabalho para o ambiente domiciliar, disponibilizando canais de denúncias contra as empresas que cometem esse tipo de delito. Tomando-se essas medidas, o povo brasileiro seria realmente protegido dos malefícios oriundos dos excessos de tarefas, característica inerente ao século XXI.