Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 28/09/2020

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, a qual foi marcada por uma rápida evolução tecnológica e por mudanças nas relações de trabalho do mundo contemporâneo, doenças ligadas ao ao meio profissional tornaram-se mais comuns. Nesse sentido, a Síndrome de Burnout é caracterizada pelo cansaço exagerado do operário ao tentar ascender economicamente. Assim, nota-se que a autocobrança obsessiva no trabalho -mantida em razão do negligenciamento de setores do Estado ao não abordar tal problemática nas escolas e incentivada pela lógica exploratória do mercado capitalista- apresenta-se como um grave problema às saúdes mental e física dos indivíduos.

Em primeira análise, é importante destacar o dever das autoridades públicas no que tange à garantia do ensino do autocuidado. A esse respeito, o filósofo Herbert Marcuse defendeu que a escola é um ambiente no qual as temáticas ligadas às transformações sociais devem ser debatidas. Entretanto, dados alarmantes da ONU sugerem que cerca de trinta por cento dos trabalhadores brasileiros sofrem a Síndrome de Burnout, muitas vezes, sem o conhecimento dos perigos  da doença, uma vez que este assunto não é devidamente abordado nas salas de aula. Portanto, percebe-se, infelizmente, que a persistência do ensino tecnicista nas escolas promove, frequentemente,  a formação de profissionais que não estão cientes dos perigos psicológicos provocados no mercado de trabalho.

Outrossim, é imperativo salientar a influência do capitalismo para a perpetuação desse cenário. Nesse âmbito, o sociólogo Karl Marx formulou a teoria da luta de classes, segundo a qual interesses divergentes de grupos antagônicos geram conflitos sociais permanentes. Por conseguinte, vê-se que, no sistema capitalista, há um interesse contido em parcela das elites econômicas no aumento significativo da produtividade e, por isso, o proletário é visto como instrumento para atingir tal objetivo e  que deve melhorar, de forma incessante, sua atuação no trabalho. Dessa forma, observa-se que, na modernidade, os interesses do liberalismo no aumento constante da capacidade produtiva do trabalhador gera nocivas consequências a seu bem-estar, haja vista que esse estado de autoexigência exacerbada dos funcionários propicia a formação de traumas graves.

Em suma, é fundamental que uma ação estatal que minimize a problemática seja tomada. Cabe, então, ao Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, promover o ensino sobre a importância da preservação da saúde mental no espaço de trabalho. Essas aulas deverão ocorrer anualmente na forma de palestras ministradas por psicólogos e sociólogos. Com isso, espera-se que as escolas sejam destinadas à garantia da saúde mental dos estudantes e afastar-se mais das implicações negativas geradas pela Terceira Revolução Industrial. .