Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 29/09/2020

Superjornadas e superfadiga

Com o advento da globalização, no século passado, houve uma intensificação das relações pessoais e, sobretudo, profissionais. Devido a isso, notou-se uma maior cobrança no que tange resultados acima da média no trabalho, que se reflete em maior demanda e esforço. Com isso, torna-se necessário analisar a ocorrência da síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento das faculdades mentais e físicas, ligada à legislação frágil e à busca descontrolada por ascensão.

Diante do contexto, cabe ressaltar, em primeira análise, a falta de fiscalização como fator determinante à exposição de jornadas longas e exaustivas aos trabalhadores do país. Assim como no contexto da Revolução Industrial, na qual milhares de fabris ingressavam em turnos superiores a doze horas consecutivas de trabalho, que ocasionou diversos acidentes e até mesmo mortes, a problemática se instaura. De maneira análoga, o não cumprimento da Consolidação das Leis Trabalhistas, na qual estipula como máximo diário de horas trabalhadas como oito, e a não regulamentação de horas extras, exaustivas para os funcionários, atuam como propiciador da síndrome.  Desse modo, é indubitável que a falta de controle acerca de jornada de trabalho abusivas é danosa aos trabalhadores.

Ademais, é importante indicar como fator causal o ambiente competitivo presente no mercado de trabalho, que muitas vezes obriga o funcionário a se desgastar mais para conquistar seu espaço. Com base no Fato Social, do sociólogo Émile Durkheim, teoria que indica a existência de normas na sociedade, nas quais atuam de forma coercitiva com o cidadão, é visível que a autocobrança por resultados relevantes, com intuito de ascensão nas corporações, está enraizada nos círculos de trabalho. Com isso, em quaisquer adversidades que ocorram, tem-se como consequência o aparecimento de problemas psicológicos, como baixa da autoestima, além de ansiedade e depressão. Essas, também, ajudam a formar condições para a ocorrência do esgotamento mental do trabalhador.

Destarte, devido ao supracitado, é evidente a necessidade de medidas para contornar a ocorrência da síndrome de Burnout. Cabe ao Ministério do Trabalho, por meio de parcerias com órgãos midiáticos de atuação livre nas redes sociais e internet em geral, e sua devida divulgação, expor as causas e consequências da doença, ao mostrar casos nos quais houveram efeitos severos, com intuito de conscientizar empregados e empregadores, objetivando gerar um ambiente de trabalho mais justo e saudável. Dessa forma, o país poderá se desenvolver e encontrar um futuro promissor.