Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 29/09/2020

Diante de um mercado de trabalho excessivamente explorador, surge uma doença causada pela abundância de tarefas profissionais, denominada síndrome de Burnout. Nesse cenário, diversos trabalhadores desencadeiam distúrbios físicos e psicológicos, buscando apenas um objetivo: ascender profissionalmente. Dessa forma, fatores como o avanço tecnológico e a auto cobrança dos funcionários estão comprometendo a saúde e o rendimento desses no trabalho.

É válido ressaltar, em primeiro plano, de que forma o intenso desenvolvimento da tecnologia afeta a vida de muitos profissionais. Devido à existência de múltiplos canais de comunicação e à facilidade de acesso a esses, as pessoas trabalham em locais e horários inapropriados. Desse modo, as tarefas profissionais acabam sendo realizadas em casa após o expediente e durante as férias — períodos necessários para o descanso e desconexão com trabalho —, o que colabora com a ideia da neurocientista Ana Carolina Souza de que há o sentimento de se estar trabalhando 24 horas por dia. Assim, faz-se necessária a desvinculação dos ambientes de trabalho com a ideia de que os indivíduos estão sempre disponíveis e acessíveis.

Cabe considerar, em segundo plano, o excesso de auto cobrança por parte dos empregados empregadores. De fato, o ambiente atual de trabalho apresenta um grau elevado de competição — estratégia usada por muitas empresas para alcançar a máxima dedicação de seus funcionários. Partindo desse preceito, a filósofa alemã, Hannah Arendt, afirma que, no mundo moderno, o que é valorizado é o contínuo fazer — um desassossego de ação e produção constantes. Logo, com objetivo de ganhar uma promoção ou, até mesmo, pelo temor de ser despedido, o trabalhador acaba exigindo muito de si mesmo para superar as expectativas do contratante, o que pode levar a distúrbios psicológicos.

Mediante o exposto, pode-se concluir que é de extrema importância a separação da vida pessoal da vida profissional, além de buscar medidas para se combater a Síndrome de Burnout. Por isso, cabe à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho estabelecer normas reguladoras que façam as empresas abrirem um espaço, em meio à rotina de trabalho, reservado para desacelerar o ritmo intenso dos profissionais, por meio de horários e salas destinadas ao descanso. Pretende-se que, a partir dessa medida, os funcionários possam ter uma instante de auto cuidado, visando a minimização do esgotamento excessivo.