Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 30/09/2020

Quando, no século 16, Martinho Lutero iniciou a Reforma Protestante, o significado de trabalho mudou, de algo associado aos pobres, escravizados e às mulheres, passou a ser visto como um dever do Protestante, e mais tarde dos Calvinistas. Imagem que destoa, por exemplo, da Antiguidade Clássica Grega, período no qual o ócio era valorizado e almejado. Na atualidade, o trabalho continua  a ser valorizado e ainda é uma das bases da sociedade, contudo, cada vez mais doenças associadas à esse são noticiadas e documentadas, como, por exemplo, a Síndrome de Burnout. Logo, faz-se necessário analisar como essa síndrome afeta, por exemplo, mulheres, médicos e enfermeiros.

Em primeira análise, vale destacar os efeitos da Síndrome de Burnout nas pessoas afetadas por esse distúrbio psíquico, como o desgaste, que prejudica aspectos físicos e emocionais da pessoa e pode acarretar em um turn over (rotatividade de pessoal). Esse panorama é mais recorrente em certas profissões, como em policiais e profissionais da área da saúde. Esse último ao longo dos últimos meses, têm trabalhado na linha de frente no combate ao novo Coronavírus, e lidado diariamente com a sobrecarga física e emocional, somada à longos plantões. Desse modo, faz-se imperioso que projetos que visem minimizar os efeitos dessa síndrome nesses profissionais sejam pesquisados e implementados.

Ademais, vale ressaltar, que apesar de não estar relacionada à aspectos fisiológicos relacionadas ao sexo das pessoas que acomete, essa síndrome afeta mais mulheres do que homens. Desde do fim do século 20 as mulheres passaram à trabalhar fora de casa, porém essas passaram a acumular uma várias funções levando à chamada dupla jornada - mulheres que trabalham normalmente fora e ao fim do dia, precisam cuidar dos filhos e ou marido. Fruto do machismo enraizado na sociedade, a dupla jornada coloca o bem-estar físico e emocional da mulher em segundo plano, no primeiro plano essa dever ser uma excelente profissional, além de cuidar meticulosamente da família. Assim, a dupla jornada  leva a um percentual maior de mulheres do que homens afetados por essa síndrome.

Verifica-se, portanto, a necessidade do Ministério da Saúde ampliar o número de psicólogos no Sistema Único de Saúde, favorecendo, assim, um grande parcela da população ao ofertar tratamento psicológico gratuito à esses. Ademais, é fundamental que campanhas do Ministério da Saúde sejam vinculadas em redes sociais e na mídia, educando a população em relação à questões de saúde mental e ensinando-lhes o autocuidado. Paralelamente, o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação deve trabalhar em escolas questões relacionadas á saúde psicológica dos estudantes, por meio de palestras com especialistas e rodas de conversa. Assim, um dia, a população voltará a valorizar o ócio.