Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 29/09/2020
Na entrada do Oráculo de Delfos, monumento da Grécia Antiga, existia uma frase atribuída ao pensador Sócrates: ‘‘conhece-te a te mesmo’’. Notadamente, uma referência à autoanálise e, assim, ao autocuidado. Todavia, os casos de Síndrome de Burnout- o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional-, no tecido social, evidenciam um cenário que se destoa do pensamento socrático. Desse modo, observa-se como ferramentas que fomentam tal conjuntura, não só um sistema educacional deficitário, mas também a não efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação sociocultural. No entanto, ao perceber que mais de 30 milhões de brasileiros sofrem os malefícios, no corpo e na mente, do desgaste profissional, verifica-se uma sociedade distante da pedagogia de Freire. Nessa lógica, há a prevalência de uma rede de ensino tecnicista, dado que prioriza, principalmente, a inserção do homem no mercado de trabalho, sem uma leitura de mundo que identifique a singularidade do indivíduo e, consequentemente, tal comportamento torna-se uma força propulsora a desencadear a síndrome de Burnot. Dessa maneira, visualiza-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias frereanas e, portanto, forma cidadãos passivos à dinâmica tecnicista do corpo social.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado garantir um ambiente harmonioso. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir a Síndrome de Burnout, dado que não é uma prioridade das agendas parlamentares, por exemplo. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio de debates com o Ministério da Educação, realize uma reforma educacional, a fim de que haja a formação de cidadãos mais diligentes quanto aos efeitos ligado ao esgotamento no trabalho. Posto isto, é necessário que tal ação foque, sobretudo, nas ideias de Freire. Ademais, é imprescindível que as ONGs (Organizações não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolva campanhas publicitárias- mediante depoimentos de cientistas sociais- que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas oriundos da questão da Síndrome de Burnout e, por fim, obter-se-á uma sociedade mais alinhada ao pensamento de Sócrates.