Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 06/11/2020
Para o filósofo iluminista Voltaire, o trabalho espanta três males: o vício, o tédio e a pobreza. Porém, a síndrome de Bournout - o esgotamento físico e mental relacionado à vida profissional - é um problema que esta se tornando comum nos ambientes de trabalho, pois relaciona-se a um cansaço que não pode ser remediado. Essa sobrecarga relaciona-se ao excesso de cobrança feita pela sociedade, que em alguns casos pode ocasionar problemas mais sérios como a depressão ou ansiedade. Dentre os fatores responsáveis por tal, pode-se citar a busca exacerbada pela perfeição no âmbito profissional e pessoal, que muitas vezes não é alcançada gerando frustrações, e o cansaço contemporâneo marginalizado pela sociedade.
Em primeira análise, com a chegada do século XXI, marcado pela modernidade, o mundo presenciou a ascensão da tecnologia, que mesmo facilitando tarefas mais complexas, criou a chamada sociedade do espetáculo. Para Guy Debord, desenvolvedor dessa vertente social, as pessoas passaram a querer sempre serem as melhores em tudo o que fazem, e expor essa ideia para os outros. Em controvérsia, àqueles que não apresentassem ganhos proveitosos, frustrariam-se gerando o pensamento de serem insuficientes. Isso, seria um pensamento equivocado, visto que, a exposição nos meios digitais na maioria das vezes é apenas uma forma de suprir o próprio ego.
Sob outro viés, a cobrança excessiva feita pelo próprio indivíduo é outro ponto que precisa ser levado em conta quando aborda-se o esgotamento profissional. Quem explica esse conceito é o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, o escritor do livro “Sociedade do cansaço”. Nesse mesmo sentido, ele discorre acerca das consequências causadas pelo discurso motivacional, que afirma trazer vantagens para aqueles que sempre demonstram o máximo de proatividade. O problema, é que faz-se necessário delimitar até quando o esforço deixa de ser prazeroso para se tornar apenas uma cobrança sem sentido.
Visando solucionar os fatos supracitados, é indubitável que medidas sejam tomadas. Para isso, o Ministério do Trabalho, em conjunto com empresas nacionais públicas e privadas devem criar um projeto de lei que por meio da Câmara dos Deputados possa entrar em vigor. Nesse projeto, o trabalhador teria um profissional da saúde disponível no seu local de trabalho, que faria uma avaliação anual nos empregados e empregadores, informando e atendendo aqueles que se demonstrarem vítimas da síndrome. Também, poderiam-se criar salas de lazer nas empresas, as quais os funcionários possam recorrer sempre que necessário, sendo essa uma medida apenas momentânea. Finalmente, espera-se que assim, a assertiva de Voltaire possa ser de fato totalmente verdadeira.