Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 01/10/2020
No final do século XV, surgia na Europa o sistema capitalista, impulsionado pelas ideias calvinistas de que o trabalho e a poupança eram duas virtudes a serem valorizadas pelo homem cristão. Na contemporaneidade, essas ideias refletiram na forma de a sociedade lidar com o trabalho, e a evolução desse cotidiano exibe o atual descaso das pessoas em relação à saúde mental frente à carreira profissional - fato constatado com a chamada Síndrome de Burnout, uma doença causada pela situação de constante pressão e estresse ocupacional. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância desafiadora, que é ainda agravada tanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais quanto pela ineficácia de ações políticas.
Em princípio, pelas doenças causadas por distúrbios emocionais serem, muitas vezes, negligenciadas, e também pelo fato de que a sociedade exerce uma pressão cada vez maior pela produtividade, grande parte das famílias e outras instituições sociais subestimam a importância de conhecimentos sobre saúde mental, além de se ausentarem da discussão acerca de temas como a sobrecarga emocional. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área da medicina, ainda há muita desinformação a respeito desses tipos de doenças por parte dos brasileiros, o que faz que, muitas vezes, o direito à saúde permaneça apenas no papel.
Ademais, no contexto relativo à questão pública, as campanhas feitas pelo Estado a fim de educar os cidadãos a respeito da prevenção de distúrbios mentais, como a Síndrome de Burnout, são, por vezes, ineficientes, visto que não chegam a boa parte da população. Uma prova dessa debilidade pode ser verificada na plataforma de vídeos Youtube, na qual vários jovens relatam as dificuldades de trabalhar em extrema situação de pressão, o que exibe a atual gravidade do problema e a falta de medidas efetivas para combatê-lo. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver a questão da saúde mental dos brasileiros.
Portanto, com o objetivo de consolidar uma mentalidade social que valorize a prevenção dos distúrbios causados pelo esgotamento mental, compete a mais famílias, empresas e até setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos, cartilhas educativas, palestras ou documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com esse tipo de doença. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas públicas para garantir que quadros assim sejam prevenidos, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar ao Ministério da Saúde mais recursos específicos para contemplar essa questão.