Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 01/10/2020

A Síndrome de Burnout é definida pela Organização Mundial da Saúde como um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade e responsabilidade. Tal condição está cada vez mais ligada aos dias atuais mediante a instabilidade do trabalhador que banaliza o suporte e cuidado com a saúde mental ou incentivos suficientes para um projeto de vida mais equilibrado. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do silenciamento à nível social e a negligência por ausência de autuações por parte do poder público impedindo a resolução do problema.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a cultura negativa para com a saúde psíquica desde os primórdios das civilizações. Exemplificando, na Grécia Antiga, era comum que os indivíduos que possuíssem algum tipo de doença mental fossem exterminados por serem considerados diferentes. Ainda que essa postura seja meramente cultural, nesse sentido pouca coisa mudou. Muitos pacientes hesitam em procurar assistência psiquiátrica para tratar síndromes ou transtornos porque têm medo ou vergonha de se assumirem nessa condição. Desse modo, tal fator corrobora para que a temática da saúde mental seja silenciada à nível social contribuindo, por consequência, na dificuldade de diagnóstico, tratamento e prevenção da Síndrome de Burnout, por exemplo.

Além disso, de certo modo, o poder público é conivente com essa realidade. Essa situação alarmante é destacada pelo Ministério da Saúde que reconhece a necessidade de reforçar as medidas preventivas devido ao aumento significativo no número de suicídio no país nos últimos anos, que pode estar relacionado, em consonância, com os aumentos de diagnósticos da Síndrome de Burnout nos ambientes de trabalho. No entanto, o Brasil ainda carece de políticas públicas que promovam tanto a fiscalização nos ambientes de trabalho quanto programas de incentivo e tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Poder Legislativo deve dirigir mais verbas para o Ministério da Saúde para que em união com profissionais da área da psicologia e assistencialismo social possam desenvolver palestras que sejam webconferenciadas -com o objetivo de atingir o maior público possível a fim de trazer mais lucidez sobre a Síndrome de Burnout e seus impactos no cotidiano- em conjunto com  fiscalizações nas áreas de trabalho sobre as condições psíquica dos funcionários. Assim, será possível a identificação e a prevenção dos casos de síndromes e consequente rompimento de paradigmas sobre o autocuidado.