Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 02/10/2020
Simultaneamente à conquista de novos direitos e facilidades, a sociedade também adquire mais responsabilidades e desafios. Ao mesmo tempo que a evolução tecnológica possibilitou uma maior qualidade de vida, os tempos modernos trouxeram consigo maiores cargas horárias e cobranças no trabalho, muitas vezes sobrecarregando as pessoas. Por meio da discussão do almejo corporativo do lucro máximo e o trabalho como fim último, será possível ter uma maior compreensão acerca da Síndrome de Burnout, fenômeno que afeta milhões de brasileiros pelo stress e ansiedade.
Primeiramente, é preciso entender a metodologia das empresas de maximização de ganhos. Nos anos 80, com a ascensão do neoliberalismo e o estabelecimento de um novo modelo socioeconômico, um novo padrão de vida e produção se estabeleceu na sociedade. O excesso de mão de obra causado pelo boom populacional e a busca por alta produtividade gerou um ambiente de intensa competitividade e aumento de expedientes. Por consequência, grande parte dos trabalhadores ficaram sobrecarregados e com menos tempo disponível para o ócio. A tendência desse fenômeno nas últimas décadas, entretanto, não foi de melhora, mas de intensificação dos ofícios e piora na saúde dos funcionários. Por meio da exploração da mais-valia e da recorrente busca por eficiência, os empregados passaram a sofrer não apenas com menos lazer, mas com diversos problemas de saúde como pneumonia, obesidade e hipertensão.
Outra questão importante a ser discutida se refere à mentalidade do trabalho como fim, não como meio. A propagação de uma nova cultura meritocrática, segundo a qual o esforço e a persistência são meios para o sucesso, impulsionou cada vez mais a ideia do emprego como meta principal de vida. De acordo com uma pesquisa do Jornal Metro, 58% dos entrevistados veem a profissão como pilar mais importante, enquanto 42% têm a família, lazer ou outras atividades como primordial. Esses números, para o filósofo Zygmunt Bauman, representam a cultura da modernidade líquida, ma qual as pessoas veem o progresso e a acumulação de capital como fim último, mas que no fundo são tão frágeis quanto o ar. Como resultado, a maioria da sociedade se abstém de suas vidas pessoais e carecem de afazeres lúdicos, corroborando para problemas de saúde e até mesmo depressão.
Em suma, a evolução da qualidade de vida e o desenvolvimento tecnológico trouxeram não apenas mais facilidades, mas diversos desafios que urgem ser solucionados. De modo a resolver os problemas ligados ao esgotamento físico e mental fruto da vida profissional, é necessário a criação de uma pasta do Ministério do Trabalho pelo poder executivo que fiscalize jornadas excessivas e atenda denúncias de ilegalidades