Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 02/10/2020

A partir da Revolução Tecnológica, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão da Síndrome de Burnout: um transtorno causado pelo esgotamento profissional. Dessa forma, observa-se que a doença reflete um cenário desafiador, seja em virtude do imediatismo que permeia a contemporaneidade, bem como pela irracionalidade no que se refere ao acúmulo de funções, desenvolvendo-se exaustão física e psicológica.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o imediatismo presente na questão. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo com a perspectiva do sociólogo, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave empecilho que atinge diversas áreas da ação humana. Tal imediatismo está presente na base da Síndrome de Burnout, onde muitos colaboradores se veem pressionados a cumprirem suas obrigações em um tempo preestabelecido e gera, como efeito, constante sentimento de frustação e depressão, sensações nocivas ao indivíduo. Diante do exposto, faz-se mister investir em maneiras eficazes de se combater o adoecimento dos empregados, cuja causa advém do estresse gerado pela cobrança profissional.

Vale ressaltar, também, que a carga horária de trabalho excessiva evidencia a exaustão física e psicológica. Segundo Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade na incessante busca por produtividade e acúmulo de funções, da qual muitas pessoas acabam por “levar” o trabalho para casa, fato esse facilitado pela tecnologia e meios digitais. Além disso, o desgaste físico e mental gerado pela ausência de distinção entre o ambiente profissional e familiar, traz a sensação  de trabalho intermitente, sendo assim, nocivo no ofício do trabalhador.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que o Ministério da saúde, em parceria com mídias de grande acesso e empresas privadas, criem campanhas por meio de palestras mediante depoimentos de cientistas sociais, com o intuito de expor as causas e consequências negativas da Síndrome de Burnout. Tais campanhas devem refletir a atuação desses interesses na ideia de responsabilidade moral e ética entre os trabalhadores e as empresas, para que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem-estar coletivo. Em suma, é preciso que se atue sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.