Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 03/10/2020
No programa de televisão “Grey’s anatomy”, tem-se como narrativa a questão da vida exaustiva dos médicos que vivem em função do trabalho no hospital “Grey Sloan”. Analogamente à atualidade, sabe-se que o mesmo ocorre, de modo que, cada vez mais, os profissionais passam a viver em prol do trabalho, podendo, futuramente, adquirir problemas físicos e mentais. Assim, há a configuração de uma conjuntura, resultada da cobrança social por resultados - agravada pelas tecnologias de informação - e da ausência da cultura do autocuidado.
Inicialmente, é válido ressaltar a questão da pressão exercida pela sociedade, com uso das tecnologias, sob o pretexto de garantia de bons resultados. Exemplo disso é visto na série televisiva “Black Mirror”, na qual há um mundo distópico em que as tecnologias são enraizadas na sociedade, se configurando como um mecanismo de coerção e de vigilância. Nesse sentido, o mesmo se aplica fora da ficção, visto que o corpo social, por meio das tecnologias de informação, bombardeia o usuário com métricas e responsabilidades nos veículos digitais, fazendo com que o profissional normalize o trabalho virtual e o esforço excessivo. Logo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao direito ao lazer, alarmando a necessidade de uma intervenção estatal.
Além disso, é importante mencionar a ausência da cultura do autocuidado no corpo social contemporâneo. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, uma ação maléfica, quando praticada em demasia, tem a tendência de ser normalizada com o tempo - banalização do mal. Nessa perspectiva, o indivíduo, ao negligenciar o cuidado com sua saúde física e mental, comete tal banalização, uma vez que realiza esforço intenso na vida profissional e, consequentemente, não organiza seu tempo para que consiga preservar seu bem-estar – fato esse normalizado pela sociedade. Desse modo, se constrói uma liberdade ilusória segundo a qual o profissional se torna refém do trabalho onipresente em sua vida.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para mitigar essa conjuntura. Para tal, o Ministério do Trabalho deve, por meio da elaboração de um projeto de lei, estimular a obrigatoriedade da presença de um profissional da saúde nos ambientes corporativos brasileiros, visando findar a problemática da saúde profissional atual. Esses profissionais realizariam exames períodos na equipe, classificando o bem-estar individual de cada funcionário e, nesse viés, limitaria as tarefas e garantiria o apoio psicológico necessário para a harmonia social. Por conseguinte, o óbice da síndrome do Burnout se tornaria distante da realidade do mundo do trabalho contemporâneo.