Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 07/10/2020

Na obra Utopia, o escritor Thomas More dissertou sobre uma ilha que funcionava de forma perfeita, assim, os utopianos, como eram chamados os seus habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao analisar a Síndrome de Burnout que está condiconada ao esgotamento físico e mental ligado à vida profissional na sociedade, percebe-se um civilização que não dialoga com a de More. À luz disso, tal problemática se assenta nas imposições presentes na sociedade de mercado e no modelo de ensino tecnicista presenta no ambiente escolar.

A priori, conforme Émile Durkheim, o fato social representa “toda maneira fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior”. Nesse sentido, comportamentos sociais, de acordo com Durkheim, não são frutos do anseio e desejo do ser humano, mas sim regras impostas a esse ser. Isso pode ser exemplificado pelo trabalho no tecido social, principalmente, na sociedade de mercado, pois essa, com discursos de realização pessoal e meritocracia, impõe ao indivíduo a necessidade de sempre está produzindo. Em vista disso, um sistema que fomenta uma vida laboral exaustiva para a sua população faz com que os desgastes físicos e mentais sejam uma tônica nessa sociedade

Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Sob tal prisma, constata-se que a educação é o fundamento que norteia a conduta do indivíduo na sociedade. Dessa forma, o modo como o trabalho se apresenta no corpo social dialoga com o modelo de ensino presente no ambiente escolar. Prova disso é a prevalência da educação tecnicista nesse local, posto que essa se baseia na formação de cidadãos aptos para o mercado trabalho, ou seja, desde a tenra idade o homem é submetido a centralizar a sua vida entorno da profissão. Consoante a isso,  a ausência de um ensino que preza o bem-estar do indivíduo permite que a síndromes como a de Bournout caracterizam o estilo de vida da sociedade atual.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esses órgão, mediante repasse de verbas públicas, desenvolver políticas que coíbem os desgastes oriundos do trabalho. Nesse viés, tais programas se estruturarão da seguinte forma: as instituições escolares fomentarão um ensino crítico, por meio de aulas interdisciplinares de biologia e psicologia, as quais se baseiam no bem-estar do indivíduo e não nos interesses da economia de mercado, a fim de construir uma sociedade que não se submete aos discursos desse sistema econômico e, assim, não centraliza a sua vida em torno da profissão. Dessarte, tal postura social conseguir-se-á combater a Síndrome de Bournout, como também reverberará a civilização utopiana.