Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 05/10/2020

No final do século XV, surgiu na Europa o sistema capitalista, impulsionado pelas ideias calvinistas de valorização do trabalho e da poupança. Na contemporaneidade, essas ideias refletiram na forma de a sociedade lidar com o trabalho, e a evolução desse cotidiano exibe o atual descaso das pessoas em relação à saúde mental frente à carreira profissional, fato constatado com a chamada Síndrome de Burnout. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância desafiadora, que é ainda agravada tanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais quanto pela ineficácia de ações políticas.

Em princípio, pelas doenças causadas por distúrbios emocionais serem, muitas vezes, negligenciadas e também pelo fato de que a sociedade exerce uma pressão cada vez maior pela produtividade, grande parte das famílias e outras instituições sociais subestimam a importância de conhecimentos sobre saúde mental, além de se ausentarem da discussão acerca de temas como a sobrecarga emocional. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área da saúde, ainda há muita desinformação a respeito desses tipos de doenças por parte dos brasileiros, o que faz que, muitas vezes, o direito à saúde permaneça apenas no papel.

Ademais, no contexto relativo à questão pública, é flagrante a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para a prevenção de distúrbios mentais no Brasil. Essa debilidade pode ser comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Saúde exerce na administração do país. Instituído para ser um órgão que promova a saúde dos brasileiros, tal ministério ignora ações que poderiam, potencialmente, diminuir o número de casos da doença, como projetos que incentivem medidas preventivas como a prática de atividades físicas, a reserva de um tempo para o lazer e o não consumo de drogas. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver a questão da saúde mental dos brasileiros.

Portanto, com o objetivo de consolidar, satisfatoriamente, uma mentalidade social que valorize a prevenção dos distúrbios causados pelo esgotamento mental, compete a mais famílias, empresas e até setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos, cartilhas educativas, palestras ou documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com esse tipo de doença. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas públicas para garantir que quadros assim sejam prevenidos, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar ao Ministério da Saúde mais recursos específicos para contemplar essa questão.