Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 05/10/2020

A Constituição Federativa Brasileira, de 1988, norma máxima do país afirma em seu artigo 196 que a saúde é direito de todos e dever do Estado. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da saúde mental dos trabalhadores. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, como a síndrome do Burnout - classificada como um estado de esgotamento físico e mental do indivíduo, que pode ser justificada em virtude do excesso de trabalho e da desvalorização profissional. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Em primeiro lugar, é preciso atentar para a carga horária excessiva presente na questão.  Desse modo, tem-se como consequência a permanência de jornadas duplas, horas extras, trabalho aos finais de semana, com objetivos financeiros e de reconhecimento, mas que na maioria das vezes não levam ao resultado esperado, tendo o trabalhador episódios de alterações psicológicas e eventos depressivos. Nessa perspectiva, a máxima do filósofo chinês Confúcio, de que não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer mais erros, cabe perfeitamente, pois um trabalhador que se submete à jornadas de trabalho extensas e estressantes estão sujeitos a adoecer mais facilmente, se não modificarem tal situação.

Além disso, essa patologia encontra terra fértil na falta de valorização das classes trabalhadoras. Em virtude disso, há como consequência a má remuneração de diversas profissões, como por exemplo na área da saúde e de segurança, ocasionando o absenteísmo, devido ao descontrole emocional e estresse.  Na obra de Oscar Wilde, ele defende que a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem. Em virtude disso as más condições de trabalho as quais tais profissionais estão submetidos, carece de empatia dos setores empregatícios e mudança de comportamento desses trabalhadores. Esses problemas psicossociais que influem sobre a questão da síndrome de Burnout funcionam como forte empecilho para sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias  para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, os Centros de Referência de Saúde do Trabalhador (CEREST) e os Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) dos municípios devem desenvolver palestras nas empresas, por meio de entrevistas com as vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos órgãos de saúde, com o objetivo de trazer mais lucidez ao tema do Burnout e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para esse problema, pois, como constatou Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.