Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 06/10/2020

“Eu não tenho tempo de ser, o tempo livre de ser, eu corro pra trabalhar”. Com esses versos, o grupo paralamas do sucesso expõe a realidade do meio laboral na sociedade atual, caracterizado por uma intensa pressão por desempenho, que levam a um quadro de Burnout -esgotamento físico e mental. Tal cenário é preocupante e precisa ser alterado com a atuação do Ministério da Saúde.

Segundo Byung- Chulé Han, filósofo sul coreano, “sociedade do desempenho” é um cenário em que a produtividade se torna um dever para os indivíduos, sendo marcada pela “autoexploração”. Tal problemática é evidente no meio social atual e leva o indivíduo à síndrome de Burnout devido a transtornos psicológicos pela constate sensação de pressão em apresentar um alto desempenho. Um exemplo disso é o caso do trabalhador Wilbert, apresentado no site blog saúde, que se sentia infeliz e pressionado na sua profissão, a ponto de chegar a ter pensamentos suicidas. Em suma, a síndrome de Bernout é uma consequência da “sociedade do desempenho” atual, que acarreta sérios prejuízos a saúde mental de muitos indivíduos, como Wilbert.

Além do comprometimento psíquico, pessoas pressionadas em sua vida profissional são, muitas vezes, fisicamente esgotadas. Nesse contexto, os danos físicos ocorrem, pois, muitas vezes os indivíduos pressionados por desempenho passam a se preocupar mais com a produtividade no meio laboral do que com o próprio bem-estar. Uma crítica metafórica a essa questão é expressa no livro “Metamorfose” de Franz Kafka, uma vez que o protagonista Gregor, um caixeiro viajante que não gosta de seu trabalho e é constantemente pressionado, se transforma em uma lagarta quando está prestes a sair para trabalhar e sua primeira preocupação não é com seu aspecto físico, e sim com o fato de se atrasar para o trabalho. Apesar da renomada obra ser ficcional, infelizmente, na contemporaneidade, muitas pessoas priorizam as preocupações laborais em detrimento da própria saúde. Destarte, elas deixam de se atentar com a prática de atividades físicas e com a alimentação, por exemplo, que podem levar a complicações como obesidade e doenças cardiovasculares. Logo, é fundamental que os indivíduos deixem a condição de esgotamento físico e psicológico, ou seja, a síndrome de Burnout.

Portanto, o Ministério da Saúde precisa fomentar o senso crítico da população sobre a gravidade  do problema e convencer os afetados a buscarem ajuda. Isso pode ser feito por meio de campanhas, vinculadas na televisão, em que profissionais da saúde apresentem o problema e orientações sobre como e onde buscar ajuda - nas unidades básicas de saúde do sistema SUS, por exemplo. Tal medida tem por objetivo retirar muitos indivíduos da condição degradante atual apresentada pelo grupo Paralamas e consequentemente, melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.