Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 06/10/2020
No final do século XV, surgia na Europa o sistema capitalista, impulsionado pelas ideias calvinistas de valorização do trabalho e da poupança. Na contemporaneidade, essas ideias refletiram na forma de a sociedade lidar com o trabalho, e a evolução desse cotidiano exibe o atual descaso das pessoas em relação à saúde mental frente à carreira profissional, fato constatado com a chamada Síndrome de Burnout. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância desafiadora, que é ainda agravada tanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais quanto pela ineficácia de ações políticas.
Em princípio, pelas doenças causadas por distúrbios emocionais serem, muitas vezes, negligenciadas e também pelo fato de que a sociedade exerce uma pressão cada vez maior pela produtividade, grande parte da população subestima a gravidade de problemas causados pelo estresse ocupacional, além de se ausentar da discussão acerca de temas como a sobrecarga emocional causada pelo trabalho. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área da saúde, ainda há muito descaso a respeito desses tipos de doenças por parte dos brasileiros, o que faz que, muitas vezes, o direito à saúde do trabalhador permaneça apenas no papel.
Ademais, no contexto relativo à questão pública, é flagrante a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para a prevenção de distúrbios mentais causados pelo esgotamento profissional como a Síndrome de Burnout. Essa debilidade pode ser comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Saúde exerce na administração do país. Instituído para ser um órgão que promova a saúde dos brasileiros, tal ministério ignora ações que poderiam, potencialmente, diminuir o número de casos do distúrbio, como projetos que incentivem medidas preventivas dessa doença, como a prática de atividades físicas, a reserva de um tempo para o lazer e o não consumo de drogas. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver a questão da saúde mental dos brasileiros.
Portanto, com o objetivo de consolidar uma mentalidade social que valorize a prevenção dos distúrbios causados pelo esgotamento mental, compete a mais famílias, empresas e até setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos, cartilhas educativas, palestras ou documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com esse tipo de doença. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas públicas para garantir que quadros assim sejam prevenidos, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar ao Ministério da Saúde mais recursos específicos para contemplar essa questão.