Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 07/10/2020

A ideia de que o homem é soberano sobre seu próprio corpo e mente, proferida pelo filósofo John Stuart Mill, pressupõe uma visão equivocada sobre a atual situação da saúde psíquica dos brasileiros. Decerto, as doenças psicológicas estão cada vez mais presentes na vida dos estudantes e trabalhadores, como é o caso da Síndrome de Burnout, que se caracteriza pelo excesso e sobrecarga de trabalho, gerando um esgotamento físico e mental ligado a vida profissional das pessoas, o que traz inúmeros prejuízos para a sua vida pessoal. Esta síndrome acomete cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a  International Stress Management Association (ISMA), se tratando de um problema comum do mercado de trabalho competitivo, o que torna-se um grave problema, urgindo de soluções.

Nesse contexto, a sobrecarga e o excesso de trabalho, característicos da Síndrome de Burnout, se dão pelo medo da perda do emprego e a busca da ascensão econômica o que faz com que o indivíduo aumente sua produtividade e atue sobre pressão, a fim de superar as expectativas do contratante. Sendo assim, a auto cobrança e a carga de trabalho são exploradas com frequências, fazendo com que o trabalhador dedique muito mais tempo ao trabalho do que sua vida pessoal, esquecendo do autocuidado. Entre as suas consequências estão o estresse, a insônia, contínua dor de cabeça, pressão alta e pode até desenvolver depressão.

Ademais, A Era Digital está diretamente relacionada a este Síndrome, pois ela tornou possível uma enorme diversidade nos canais de comunicação disponíveis hoje, o que pode levar a uma sensação de sobrecarga dos trabalhadores e dificuldade no alinhamento de prioridades, além de gerar uma sensação de que estamos trabalhando 24h/dia, favorecendo culturas de que o trabalhador está sempre disponível e acessível para o trabalho, visto que este pode responder uma mensagem ou cobrança pelo celular de maneira prática, sem uma organização e equilíbrio  entre os meios.

Segundo o filósofo Platão, o importante não é viver, mas viver bem. Portanto, evidencia-se que a qualidade de vida é primordial e de extrema importância, ultrapassando a própria existência, mas em contrapartida, o brasileiro encontra dificuldades para se obter essa qualidade de vida nos tempos contemporâneos, visto que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de trabalhadores mais estressados do mundo, perdendo apenas para o Japão. Isto pode ser uma consequência da estrutura escolar que ensina aos estudantes a estudarem para entrar no mercado de trabalho, sem expectativa de vida, mecanizado, aprendendo a trabalhar de maneira produtiva e em excesso.

Logo, o ministério da Saúde deve disponibilizar, mensalmente, atendimentos gratuitos com psicólogos aos trabalhadores, com redução da carga horária, com a finalidade de uma maior qualidade de vida.