Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 07/10/2020
Com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, a globalização atingiu níveis inéditos e, por conseguinte, viu-se surgir o que viria a ser denominado capitalismo industrial, o qual afetou as diversas classes sociais e engendrou algumas problemáticas, como a exaustividade profissional no âmbito laboral e corporativo. Face a tais impasses, surgiu-se o termo Síndrome de Burnout, que caracteriza os profissionais exauridos pelos seus trabalhos que, exponencialmente, se tornam ainda mais esgotantes à saúde. Sob essa ótica, o capitalismo industrial configura-se como principal responsável por esse distúrbio e, portanto, vê-se necessária uma mudança na estrutura corporativa.
Em primeiro plano, é fulcral compreender como o processo do capitalismo transfigura-se no principal catalisador desse problema. De acordo com o filósofo Michel Foucault, o capitalismo, em função de exigir produtividade para se manter, estabelece uma ‘‘docilização dos corpos’’, o que significa que o Estado, por meio de suas instituições disciplinares, como a escola, forma os indivíduos aos moldes capitalistas, de modo a torná-los corpos dóceis que, no futuro, inserir-se-ão no mercado de trabalho, e irão garantir a sustentabilidade do capitalismo. Em virtude disso, ao se inserirem no mercado de trabalho, esses indivíduos são exauridos ao limite para que o capital e o Estado avancem, embora esse fato corrobore à debilitação da saúde desses profissionais.
Ademais, é imprescindível pontuar a importância das corporações nessa problemática. Segundo o dramaturgo Bernard Shaw, o progresso é impossível sem que haja mudanças e, assim, torna-se necessária a atuação das grandes corporações no combate a esse distúrbio, por meio da flexibilização dos trabalhos exaustivos e da valorização do autocuidado de seus profissionais. Entretanto, vê-se o oposto do necessário, em vista de que muitas empresas passam a afastar funcionários que possuem essa síndrome, sem que haja cuidados em sua formação profissional, como mostram dados da Organização Mundial da Saúde, que alertam para o fato de o afastamento pela síndrome ter crescido mais de 114% no Brasil, em 2019.
Diante dos fatos supracitados, infere-se que é de vital importância o combate ao distúrbio mencionado. Para tal, urge que o Senado Federal, por meio da implementação de uma lei que institucionalize um plano de cuidado e tratamento profissional obrigatório nas empresas, combata a grande incidência de casos dessa doença. Dessa forma, esse plano deve conter palestras que busquem educar os profissionais a respeito do esgotamento físico e mental, além da flexibilização dos trabalhos exaustivos. Só assim, ter-se-á a concepção da drástica mudança na conjuntura corporativa, de forma a configurar o progresso utópico apresentado pelo literato Bernard Shaw.