Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 08/10/2020
A Síndrome de Burnout é definida pela Organização Mundial da Saúde como um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade e responsabilidade. Tal condição está cada vez mais ligada aos dias atuais, mediante à instabilidade do trabalhador que banaliza o suporte e cuidado com a saúde mental ou incentivos suficientes para um projeto de vida mais equilibrado. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do silenciamento à nível social e à negligência por ausência de autuações por parte do poder público, impedindo a resolução do problema.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a cultura negativa para com a saúde psíquica desde os primórdios das civilizações. Exemplificando, na Grécia Antiga, era comum que os indivíduos que possuíssem algum tipo de doença mental fossem exterminados por serem considerados diferentes. Ainda que essa postura seja meramente cultural, nesse sentido pouca coisa mudou. Muitos pacientes hesitam em procurar assistência psiquiátrica para tratar síndromes ou transtornos, porque têm medo ou vergonha de se assumirem nessa condição. Desse modo, tal fator corrobora para que a temática da saúde mental seja silenciada a nível social contribuindo, por consequência, na dificuldade de diagnóstico, tratamento e prevenção da Síndrome de Burnout, por exemplo.
Além disso, essa situação alarmante é destacada pelo Ministério da Saúde, que reconhece a necessidade de reforçar as medidas preventivas devido ao aumento significativo no número de suicídio no país nos últimos anos. Prova disso, é revelada pelo levantamento de dados na revista Veja, que destaca que 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental e cerca de 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com os efeitos do stress, um dos primeiros sinais da Síndrome de Burnout, segundo a Associação Internacional de Gestão do Stress. Logo, fica nítida a percepção que o Brasil carece de políticas públicas que promovam tanto a fiscalização nos ambientes de trabalho quanto programas de incentivo e tratamento pelo Sistema único de Saúde, implicando na qualidade de vida da população.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde, em consonância com profissionais da área da psicologia e assistencialismo social, devem desenvolver palestras - que sejam webconferenciadas - com o objetivo de atingir o maior público possível e, aliados a dicas para romper o paradigma do autocuidado referente a saúde mental, a fim de trazer maior lucidez sobre a Síndrome de Burnout e tornando possível a construção de uma realidade mais equilibrada, também no ambiente de trabalho, a longo prazo.