Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 10/10/2020

O filme “Tempos Modernos” retrata um operário industrial que quando submetido a condições ruins de emprego, como a repetição exaustiva de um único movimento, apresenta sintomas de insanidade mental. Paralelamente, trabalhadores hodiernos também apresentam indícios de desgaste físico e mental causados pelo trabalho em demasia, ocorrência denominada Síndrome de Burnout. Desse modo, devem-se analisar como as relações de trabalho ao longo da história e as atuais atreladas à tecnologia influenciam na problemática em questão, a fim de combatê-la.

A priori, a herança histórico-cultural colabora para a manutenção da situação de sobrecarga laboral à qual os trabalhadores estão sujeitos. Isso porque, consoante o sociólogo Max Weber em sua obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, houve a construção do pensamento de que o trabalho é uma virtude e o ócio algo condenável, esse devendo ser suprimido em nome da produção. A exemplo, nesse contexto, ditados populares como “Deus ajuda quem cedo madruga” é uma constatação da naturalização da ideia de que apenas com muitas horas de expedientes será possível ser bem-sucedido. Assim, as pessoas se levam ao esgotamento físico e mental pois tendem a destinar pouco ou nenhum tempo para descansar e cuidar da saúde, ficando suscetíveis à insônia, ansiedade e pressão alta, por exemplo.

Ademais, as atuais relações de trabalho somadas ao avanço da tenologia contribui para a piora do quadro de Burnout entre os trabalhadores. Tal fato ocorre porque, visando sempre o lucro, os empregadores exercem pressão sobre seus funcionários pela eficácia na produtividade e recompensam esses que a atingem, fazendo o empregado se sentir um fracassado diante da falha. Atrelado a isso, o desenvolvimento dos meios de comunicação prejudica, em parte, o bem-estar do contratado - pois o virtual redefine as noções de tempo e espaço, conforme defende o sociólogo Pirre Lévy - o que possibilita a realização de um trabalho em tempo integral. Sob essa perspectiva, muitos patrões se apropriam dos meios digitais para realizar cobranças do funcionário mesmo fora do ambiente físico laboral, sobrecarregando esses.

Portanto, urge que o Poder Legislativo amplie a proteção à saúde do trabalhador, por meio da soma à CLT de normas específicas que coíbam práticas de sobrecarga trabalhista, como a proibição do pedido de afazeres fora do expediente laboral pelo empregador ao empregado. Além disso, as firmas devem promover palestras ministradas por psicólogos acerca da importância do equilíbrio entre o âmbito profissional e pessoal, destacando a relevância dos momentos de descanso e lazer para uma vida saudável, com o intuito de desconstruir a romantização do trabalho em excesso e prevenir a Síndrome de Burnout.