Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 09/10/2020
No livro " Vigiar e punir", o autor Michel Foucault estabelece as transformações da idade contemporânea nas relações sociais capazes de apresentar aspectos coercitivos de controle comportamental. Diante disso, a disseminação de ideais capitalistas que não visam a saúde da população tem acarretado, gradativamente, no aumento de casos relacionados à Síndrome de Burnout. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de se debater as causas e efeitos promovidos pela vida profissional dentre esses destacam-se: a coercitividade empresarial e a autocobrança excessiva.
Em primeira análise, a promoção de ideais coercitivos na sociedade hodierna são resultados de um passado histórico caracterizado por depreciar a condição humana. Durante a revolução industrial, a propagação de jornadas de trabalho análogas à escravidão era comum dentro do convívio social. Contudo, de forma gradual, movimentos de cunho sindicais ganharam força ao longo do século XX na luta contra a exploração laboral de modo a tornar a atividade com maior grau de dignidade. Por conseguinte, atuais atitudes coercitivas dentro do meio empresarial tem corroborado para a incidência de extremo desgaste e cansaço físico e mental em um número considerável da população brasileira por meio de designações de prazo e acúmulo de funções, já que, segundo dados da associação nacional de medicina do trabalho, 30% dos trabalhadores no país já apresentam Síndrome de Burnout.
Ademais, a autocobrança existente no país é outro fator que intensifica os desenvolvimento de patologias relacionadas à doenças psicossociais. De acordo com o sociólogo Max Weber o indivíduo é reflexo do corpo social em que é inserido, tendo suas características derivadas daquilo que o cerca. Em síntese, em uma sociedade na qual há a excessiva valorização do trabalho como forma de dignificar o homem, jovens, em suma maioria, sentem-se cada vez mais pressionados quanto a sua forma de ingresso e sucesso no mercado profissional. Entretanto, por depender de inúmeras variáveis distintas para seu êxito, a plenitude do desenvolvimento laboral não ocorre, majoritariamente, de acordo com as expectativas existentes o que, invariavelmente, gera uma juventude repleta de decepções e anseios
Assim, melhorar a qualidade de fica dentro e fora do ambiente de trabalho deve ser uma prioridade adotada por toda e qualquer instituição pública e privada. Portanto, é fundamental que o Poder Legislativo estabeleça obrigatória a implementação de centros de treinamento esportivo e cultural em toda e qualquer atividade laboral, por meio de um projeto de lei, que torne possível 1 hora diária da carga de trabalho passível de ser paga com a prática de exercício físico dentro do ambiente oferecido pela instituição pública ou privada, a fim de promover qualidade de vida aos trabalhadores, diminuir os níveis de cortisol e, simultaneamente, garantir maior produtividade durante o exercício da função.