Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 09/10/2020
Em sua obra “A hermenêutica do sujeito”, Foucault apresenta o conceito de “epiméleia heautaû” como equivalente a noção de cuidado consigo mesmo, o que resultaria em um engrandecimento intelectual e espiritual. Nesse sentido, a Síndrome de Burnout, causada principalmente pela competitividade do mercado de trabalho, e a banalização desse cenário, difere-se da obra pela falta de autocuidado por parte do indivíduo acometido. Com efeito, um diálogo entre o Estado e a sociedade, sobre os caminhos para se combater esse problema, é medida que se impõe.
Convém ressaltar, a princípio, o papel das empresas contratantes na manutenção da concorrência extrema existente no ambiente profissional. Esse fato está relacionado ao conceito de “violência subjetiva” proposto pelo sociólogo Slavoj Zizek, em que a coerção invisível é sutil e engendrada pelo próprio sistema das relações vigentes. Em um cenário de baixa empregabilidade e saturação de profissões, ser contratado tem se tornado um desafio, o que faz com que os profissionais busquem cada vez mais apresentar serviço e se destacarem dentro de empresas.
Ademais, os sintomas expostos por funcionários são, em sua maioria, negligenciados pelos chefes, induzindo os trabalhadores a não prestarem a devida atenção às próprias queixas e continuarem trabalhando independente da sobrecarga. Esse fato está relacionado ao conceito de “Banalidade do mal”, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma conduta degradante ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a mitigação dessa adversidade. Cabem às empresas geradoras de emprego, realizar uma revisão de seus protocolos e promover um espaço de debate através da ampliação dos serviços de escuta ativa do corpo funcional. Dessa forma, os empregados terão maior visibilidade para expor seus problemas e opinar acerca do que pode ser melhorado no cotidiano do local de trabalho.