Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 11/10/2020

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, na realidade brasileira, as vítimas da síndrome de Burnout têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar como prevenir e tratar essa questão no país.

De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao não evitar a síndrome de Burnout. Isso porque existe uma deficiência no processo fiscalização, uma vez que falta inspecionar, com mais rigor, o cumprimento, por parte das empresas, do ordenamento jurídico que limita o tempo de serviço dos trabalhadores a, no máximo, 8 horas diárias. Isso tem facilitado jornadas excessivas de trabalho, o que pode provocar um esgotamento físico e mental do funcionário. Vê-se, então, que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, enfatiza-se que aceitar a síndrome de Burnout é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante da ausência de assistência estatal, visto que falta oferecer, no Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento psicológico para indivíduos que se encontram em estado acentuado de exaustão, o que tem comprometido a reabilitação da saúde mental destes. Constata-se, assim, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social exerce influência sobre as pessoas, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.

Convém, diante do exposto, ressaltar que a síndrome de Burnout deve ser superada. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo, fiscalize, com mais rigor, o cumprimento das leis trabalhistas por parte das empresas, o que pode ser feito por meio da criação de canais de denúncia, a fim de combater jornadas excessivas de trabalho e, consequentemente, preservar a saúde física e mental dos funcionários. Além disso, é fundamental que organizações não governamentais, por meio da realização de campanhas midiáticas, sensibilizem a população a não se manter inerte diante da falta de combate a essa patologia, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol da contratação, por parte do governo, de psicólogos para o SUS, com o intuito de oferecer tratamento terapêutico para indivíduos que se encontram em estado acentuado de exaustão. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.