Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 23/10/2020
No filme “Trama Fantasma”, dirigido por Paul Thomas Anderson, o protagonista é um estilista que, em alguns frames, passa periodicamente por um esgotamento mental após um trabalho intenso. Esse é um exemplo da sociedade do desempenho, apresentada por Byung Chul Han, em que os indivíduos se sentem pressionados a serem altamente produtivos, levando a um esgotamento mental que acarreta o cansaço, a depressão e a Síndrome de Burnout. Nesse viés, o cenário hodierno é causado pela hiperconectividade à internet, e falta de empatia e sensibilidade nas pessoas no ambiente empresarial.
Em primeiro plano, segundo Pierre Lévy, a ubiquidade das tecnologias informacionais leva a hiperconectividade dos indivíduos em um ciberespaço, o que agrava a cobrança pela produtividade por nunca se desvencilharem do trabalho. Desse modo, a sociedade do desempenho se torna mais prejudicial aos indivíduos na era digital, onde a interação dele com a empresa é em tempo integral, e o estímulo à competição se faz constante no ambiente de trabalho. Assim, a Síndrome de Burnout se presencia na vida dessas pessoas, provocada pelo incentivo à produtividade muitas vezes além da capacidade humana, em virtude de uma cultura capitalista e cruel que a vê como sinônimo de sucesso profissional.
Ademais, Zygmunt Bauman afirmava que na pós-modernidade, as relações interpessoais adotaram um caráter efêmero, evidenciando a individualidade, na qual tal conceito se aplica ao ambiente de trabalho onde, muitas vezes, não há empatia e humanidade com o outro. Dessa forma, as pessoas não se atentam ao bem estar do outro e deixam passar despercebido os sintomas do esgotamento, pois perdeu-se essa sensibilidade humana para a competição no meio de trabalho. Logo, nota-se, infelizmente, a ausência de coletividade na sociedade e uma romantização perigosa desse esgotamento mental como caminho para o sucesso, na qual se intensifica com a crescente individualização das pessoas e prejudica ainda mais os indivíduos que já sofrem com a Síndrome.
Portanto, ratifica-se que a pressão imposta pelo meio digital a qual se está inserido atrelado a efemeridade das relações sociais contribuem com a persistência dessa situação. Assim, o Ministério da Saúde deve criar postos especializados em saúde mental para suporte, orientação e ajuda psicológica a esses indivíduos afetados, a fim de que se reduza os índices de esgotamento mental nas pessoas e possa se obter uma população que seja produtiva de modo saudável. Assim como o Poder Legislativo deve criar uma lei que obrigue as empresas a controlarem o excesso de trabalho dado a seus funcionários, e os deem licença em caso de afastamento do serviço. Desse modo, poderá se mudar o cenário observado com o protagonista em Trama Fantasma.