Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 14/10/2020
O psicanalista alemão Herbert Freudenberger percebeu um processo gradual de esgotamento emocional, desgaste no humor e diminuição da motivação nos trabalhadores voluntários com os quais trabalhava. Assim, em 1974, utilizou o conceito de Síndrome de Burnout para representar tal fato. Esse cenário nefasto, lamentavelmente, está presente no cotidiano dos trabalhadores brasileiros, sendo de extrema urgência transcendê-lo, seja pelo maior cuidado com a saúde mental, seja pelo ato de evitar a influência negativa do meio. Logo, faz-se imperiosa a análise dos caminhos para não adoecer no mercado de trabalho brasileiro.
A priori, a grandiloquente diligência com a saúde psíquica corrobora para o não desenvolvimento da síndrome ocupacional. Sob tal ótica, conforme pesquisas realizadas pelo ISMA e pelo INSS, cerca de 50% dos trabalhadores que sofrem de estresse desenvolvem a síndrome de Burnout. Dessa maneira, é notório a importância do cuidado com a saúde mental, na medida em que ao negligenciá-la torna-se suscetível à promoção da enfermidade. Compreende-se, então, que o campo laboral brasileiro- ao desprezar o bem-estar mental dos funcionários- ratifica a gradativa ascensão de trabalhadores com o esgotamento profissional.
Outrossim, convém destacar outra louvável maneira para o não adoecimento no mercado de trabalho brasileiro: a ação de evadir a interferência negativa do ambiente. Nesse ínterim, o sociólogo francês Pierre Bordieu, em sua teoria do Habitus, analisa que os indivíduos incorporam um padrão imposto à sua realidade e naturalizam tais estruturas sociais, reproduzindo-as. Com base nisso, se o trabalhador convive em um ambiente no qual a pressão e o estresse são naturalizados, tende a adotar essa nociva conduta também. Desse modo, a modernização do ambiente laboral é imprescindível para dirimir a população com estresse crônico, garantindo o bem-estar mental do trabalhador tupiniquim.
Urge, portanto, que medidas sejam adotadas para atenuar o número de indivíduos acondicionados pela síndrome de Burnout. Nessa conjuntura, o Ministério da Saúde pode fomentar a inserção de acompanhamento psicológico nas empresas brasileiras, por meio da redução das alíquotas tributárias àqueles que aderirem tal prática, a fim de proporcionar o incentivo ao cuidado com a saúde mental, mitigando a enfermidade dos trabalhadores. Paralelamente, o Ministério da Cidadania pode debater com empresários acerca da humanização do espaço laboral, mediante conferências, a fito de incentivá-los a modernizar o cenário de trabalho- como fez a empresa Google-, impactando um lugar confortável aos trabalhadores. Destarte, a síndrome de Burnout, alcunhada por Freudenberger, não fará parte da realidade brasilera.