Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 15/10/2020
A Legislação Trabalhista Brasileira, promulgada em 1943, prevê uma jornada de trabalho de 8 à 12 horas por dia. Entretanto, é nítido que, com o passar dos anos, esse período tem aumentado cada vez mais, visto que há uma sobrecarga muito grande sobre o trabalhador, a qual o faz priorizar o trabalho à cima de qualquer outra atividade pessoal e que, à curto e longo prazo, tem gerado complicações físicas e psicológicas nesses indivíduos. Dessa forma, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Convém ressaltar, a princípio, a questão da saúde física e mental e a sua relação com a vida profissional. Quanto a esse fator, é válido destacar que o corpo e a mente devem estar em constante equilíbrio para que o homem seja capaz de realizar todas as suas atividades com mais eficiência. Desse modo, é importante que o trabalhador, além de cumprir corretamente a jornada de trabalho, saiba reservar um tempo de lazer e descanso, para evitar a fadiga e o aparecimento de possíveis patologias. No entanto, as demandas dentro das empresas sob cada empregado tem aumentado cada vez mais e, por conseguinte, ocasionou um crescimento nos diagnósticos da Síndrome de Burnout - causado pelo desgaste profissional- que acomete mais de 30 milhões de brasileiros, segundo a OMS.
Ademais, é preciso compreender que essa síndrome, em alguns casos, é gerada por descuido do próprio trabalhador e nada tem a ver com a empresa. Isso porque, a cobrança pessoal, a ansiedade para fazer alguma entrega e a falta de um controle administrativo sobre as obrigações, pode levá-lo à perda da noção do tempo e, consequentemente, à trabalhar mais que o necessário. Tal problema tornou-se mais comum durante a pandemia, enfrentada esse ano no país, pois muitas pessoas passaram a trabalhar em casa, o que dificultou ainda mais a separação entre o profissional e o pessoal, uma vez que o término do expediente tem ultrapassado o horário determinado. Além disso, o distúrbio em questão pussui vários níveis, do leve ao mais crítico, que vai desde a perda de cognição, fadiga e isolamento social, até uma depressão profunda, a qual necessita de um tratamento psiquiátrico.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para controlar o problema. Desse modo, cabe ao Ministério do Trabalho criar um canal anônimo de denúncias, para que os trabalhadores tenham onde recorrer caso a empresa demande que ele exerça uma jornada maior de trabalho. Além do mais, o Ministério da Saúde, com o apoio de psicólogos que trabalhem para o próprio governo, deve desenvolver um programa gratuito de atendimento médico, que disponibilize um acompanhamento aos diagnosticados com a Síndrome de Burnout, visando auxiliá-los na organização pessoal de todas as suas atividades. Assim, o problema será atenuado.