Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 16/10/2020
Um dos principais agentes para a transformação do meio social é a qualidade da mão obra oferecida nos diversos setores trabalhistas. Por meio dela, é possível estabelecer informações a respeito das condições de vida do local, como empregabilidade, carga horária trabalhista e suporte educacional. Embora esses fatores sejam favoráveis à construção de uma realidade profissional efetiva, quando colocados como prioridade na vida dos trabalhadores, podem acarretar na autocobrança e na sensação de fracasso por não conseguirem alcançar as metas de seu ambiente de trabalho. Isso acontece não só por falta de iniciativa governamental, mas também devido ao sentimento de hipervigilância.
É necessário destacar, primeiramente, que a falta de iniciativa governamental impossibilita o trabalhador de fazer separação entre o horário de trabalho e o de desfrutar de suas horas de repouso., já que, para Hegel, “o Estado é o pai da população e tem o dever de cuidar de seus filhos”. Sob tal ótica, infere-se que isso não é evidenciado na prática, uma vez que não há a criação de políticas públicas com o fito de amenizar a sobrecarga física, emocional e psicológica do empregado, o que confere o estado de exaustão e de esgotamento, que é chamado de Síndrome de Burnout. Por causa disso, o indivíduo se torna menos apto a realizar a função em seu local de trabalho, desqualificando, dessa forma, a qualidade da mão de obra nacional.
Paralelamente, também é válido ressaltar que o indivíduo, como empreendedor de si mesmo, busca maximizar os seus resultados, como forma de garantir a maior visibilidade possível e a aprovação alheia em todas esferas da vida. Isso é retratado no livro “Sociedade do Cansaço”, do filósofo coreano Byung-Chul Han, em que o indivíduo encontra-se em estado de hipervigilância, que, geralmente, vem acompanhado da sensação de cansaço e de esgotamento. Desse modo, o empregado se cobra cada vez mais para atingir os maiores objetivos, o que nem sempre é possível, podendo resultar, por exemplo, no desencadeamento de crises depressivas.
O esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, portanto, inviabilizam a construção de uma realidade brasileira menos distópica. Assim, para amenizar essa questão, cabe ao Estado, responsável pela manutenção da ordem social, criar políticas públicas, por meio de leis e investimentos - como a elaboração de palestras e de apoio psicológico aos trabalhadores -, com o fim de fazer com que eles façam separação entre ambiente de trabalho e a vida pessoal. Ademais, O Estado deve promover atividades culturais, com intuito de oferecer aos trabalhadores uma forma de erradicar a sobrecarga emocional e física causada pelo “stress” no âmbito trabalhista.