Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/10/2020

Em suas obras, o desenhista Pawel Kuczynski revela o meio social injusto, falido e com valores deturpados. Fora das telas, as relações humanas assemelham-se a realidade retratada pelo ilustrador, e o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional instala-se na humanidade. Logo, seja pelas novas exigências do mercado, seja pela cultura do vitimismo, faz-se necessária a análise das causas e dos efeitos da síndrome de Burnout na população.

Em primeiro plano, cabe cabe ressaltar a relação da nova configuração humana e os reflexos no modo de produção do século XXI. A partir da revolução industrial inglesa, o trabalho destaca-se como uma forma de obtenção de lucro no contexto capitalista. Nesse sentido, com o advento da globalização e a intensa revolução tecnológica, o mercado de trabalho se expande; porém, também torna-se mais exigente. Assim, segundo o filósofo Byung Chul Han, configura-se uma sociedade do cansaço em que, a partir da ilusão de tudo poder, o sujeito cobra de si a máxima eficiência em todas as suas ações. Diante disso, essa conjuntura trás como consequência uma maré montante de deprimidos, frustrados e suicidas.

Além disso, a comodidade e a facilidade intrínseca na geração contemporânea acarreta a fragilidade psicológica e ocasiona em lacunas na conquista da solidez emocional que previne a síndrome de Burnout. Sob essa ótica, de acordo com o psiquiatra Theodore Dalrymple em seu livro “podres de mimados”, há uma nova tendência de construir uma cultura em que não pode fazer ninguém sofrer, que todos irão se amar e respeitar, e, assim, produz pessoas moralmente irresponsáveis. Dessa maneira, o coitadismo cria indivíduos intocáveis distantes da instalação no seu papel social e incapazes de materializarem o seu desempenho máximo, e configura-se um cenário com trabalhadores passíveis a doenças mentais.

Depreende-se, portanto, a importância da atuação de empresas privadas, em parceria com o poder público, a fim de priorizar o equilíbrio psicológico do trabalhador acima da produção. Dessa forma, os empresários devem investir, com o intermédio de estudantes de psicologia de faculdades federais, em palestras presenciais e virtuais sobre como administrar a sobrecarga física e mental na vida profissional, com o intuito de conscientizar os indivíduos. Com essa medida, a realidade representada por Pawel permanecerá em suas obras.