Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/10/2020

De acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra “A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria, o que contemplaria a necessidade de todos na sociedade. Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com a Síndrome de Burnout, a qual está associada com o esgotamento físico e mental devido à vida profissional, tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, posto que atos deliberados e imorais têm acometido a integridade de muitos cidadãos. Dito isso, a questão cultural e negligência empresarial são pontos de destaque no país.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Síndrome de Burnout, associada à vida profissional, reflete os costumes estabelecidos pela população em um certo período histórico. Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos de relacionam de acordo com uma cultura local. Nesse viés, o individualismo e a competitividade , sendo características típicas do capitalismo, mostram-se preponderantes na lógica do mercado de trabalho atual, o que tem viabilizado a expansão das patologias psicossomáticas, como a Síndrome de Burnout. Essa situação é ratificada com os plantões médicos, os quais evidenciam, muitas vezes, a avidez pelo lucro mesmo em contextos de exaustão física e mental. Tal panorama denota, por conseguinte, um quadro de caos social que precisa ser combatido.

Além disso, a negligência empresarial justifica, de certa forma, o desdobramento de doenças mentais por exaustão, como a Síndrome de Burnout. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago, em seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira’’, há uma ‘‘cegueira moral’’ que impede a valorização de interesses benéficos à coletividade. Nessa ótica, a carência de planos de carreira e a extensão das jornadas de trabalho, por exemplo, evidenciam a fragilidade na organização da vida profissional, o que tem acometido o bem-estar de muitos cidadãos. Não é de se estranhar, portanto, que os distúrbios mentais tenham aumentado em mais de 20% no último século, de acordo com o site G1.

Desse modo, é indiscutível a atuação das Escolas nessa situação. Assim, essas instituições devem realizar mostras científicas abertas para a sociedade, as quais tenham o objetivo, por intermédio de vídeos demonstrativos e de teatros realizados por professores, de orientar os cidadãos sobre a importância da coletividade e do descanso para o bem-estar. Ademais, os Governos Estaduais, junto às empresas, devem fiscalizar a produtividade do trabalhador, sendo isso com planilhas de rendimento, a fim de beneficiar o desempenho dos indivíduos.