Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 20/10/2020

A Constituição da República Federativa do Brasil estabele, em seu artigo 196, a garantia do direito a saúde e o dever do Estado de zelar por políticas que visem reduzir o risco de doença e de outros agravos. Entretanto, atualmente, percebe-se o crescimento do esgotamento tanto físico quanto mental de muitos indíviduos, acarretando a síndrome de Burnot e prejudicando uma vida saúdavel. Portanto, é preciso analisar o crescer da pressão trabalhista devido as inovações tecnológicas e o descaso com o autocuidado para um debate produtivo e aprofundado acerca do assunto.

Em primeira instância, cabe ressaltar o avanço tecnológico advindo com as Revoluções Industriais. Logo, com o surgimento da internet e dos meios de comunicação, a vida pessoal e o ambiente de serviço se misturaram e a pressão para com o emprego cresceu, já que aproximadamente 30 em cada 100 trabalhadores brasileiros sofrem de síndrome de Burnot de acordo com o International Stress Management Association. Junto a isso, o mercado se tornou competitivo, exigindo mais de seus colaboradores tornando as tarefas automáticas e visando apenas o seu cumprimento. De maneira análoga, o sociólogo Max Webber apresenta a teoria da ação social refente à fins, na qual a ação é tomada com um fim específico em mente, e, dessa forma, o valor do percurso até o objetivo é anulado.

Ademais, é necessário atentar-se para o bem estar completo do ser humano, o que engloba a saúde física e mental dos cidadãos. Dessa forma, o autocuidado é fundamental para previnir o esgotamento do trabalho proveniente da comorbidade. Entretanto, na era digital, as aparências valem muito e se preza por um corpo saúdavel, mas não também por uma mente. Concomitamte a isso, o teórico alemão Zygmunt Bauman exibe o conceito da modernidade líquida, em que o indíviduo recebe muitas informações de uma só vez, a mudança acontece rapidamente, as relações são fluídas e ele se encontra à deriva. Além disso, pode-se comparar a sociedade atual à ideia das instituições zumbis de Bauman, que ocorrem quando há um enfraquecimento nas instituições formadoras de base e valores.

Em suma, para resolver a problemática da pressão nos afazeres e do descuido com a saúde mental, medidas são necessárias. Assim, cabe ao Ministério do Trabalho, juntamente com as empresas, reformular as políticas e estabelecer limite entre vida pessoal e profissional, além de passar mais segurança para o futuro do empregado ali, para que os funcionários tenham mais tranquilidade e não  sofram tanta pressão. Outrossim, o Ministério da Saúde, em parceria com a iniciativa privada, precisa promover palestras com psicólogos e atividades em grupo para reunir funcionários em conversas produtivas em relação ao serviço, com o intuito de se sentirem ouvidos e importantes para a organização. A tomada dessas medidas deverá atenuar o problema e seguirá a Carta Magna do país.