Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 25/11/2020

No período em que ocorreram as grandes navegações para a descoberta do “Novo Mundo”, entre os século XV e XVI, era comum uma doença acarretada pela carência de vitamina c devido a péssima alimentação dos desbravadores, posteriormente intitulada como escorbuto. Nesse contexto, se o escorbuto caracterizava aquele período, hoje a síndrome de Burnout caracteriza a sociedade com o esgotamento físico e mental ligado a vida profissional, sendo imperiosa a ampliação de medidas a fim de minimizar os impactos ocasionados por esse cenário. Para tanto, deve-se pensar na tecnologia como catalisadora do processo, bem como a pressão midiática pela vida profissional bem sucedida.

Em princípio, vale dizer que o uso constante das tecnologias de comunicação podem acelerar a Síndrome de Burnout. Nesse sentido, a sensação de estar sempre conectado reverbera o cansaço psicológico do sujeito, uma vez que, com o celular sempre em mãos, o stress profissional adentra os lares e confunde os limites entre o lugar de descanso e o de trabalho. Paralelamente, se no século XVIII, com o advento da Revolução Industrial, o trabalhador era explorado em média dezoito horas diárias, a exploração hoje faz-se presente por meio do aparelho móvel em qualquer hora ou lugar. Logo, o esgotamento profissional está intimamente relacionado às tecnologias de informação.

Outrossim, se a condição supracitada advém da cobrança do patrão, a pressão exercida pela mídia sobre o trabalhador faz com que o próprio empregado exerça pressão sobre ele mesmo. Nesse âmbito, a exposição de vidas aparentemente perfeitas de indivíduos bem sucedidos profissionalmente implica na busca pelo trabalhador do sucesso profissional. No entanto, tais padrões são inatingíveis e acabam por gerar o excesso de trabalho, a frustração e, a longo prazo, a depressão. Em consonância ao filósofo Zygmunt Bauman, na sociedade contemporânea o ter extrapola o ser, ou seja, os bens do sujeito tornam-se a sua própria identidade. Assim, a busca por condições financeiras para se ter sempre mais, é envolta do stress mental e do esgotamento profissional, característica essa da contemporaneidade.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar os impactos a síndrome do Burnout, a qual constitui o esgotamento físico e mental do trabalhador. Dessa forma, o governo federal deve investir em ambientes públicos de lazer ao ar livre - os quais possam incentivar o sujeito a se desconectar e estabelecer limites entre o ócio e o trabalho - com vistas a aumentar a qualidade de vida da população. Ademais, cabe às grandes empresas promover a empatia para com o funcionário -sobretudo em situações de home office, cada vez mais comuns - e ao indivíduo desenvolver o autocuidado para retardar o Burnout e preveni-lo. Desse modo, serão dados os primeiros passos para erradicar uma das mais emergentes doenças do século XXI.