Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 27/10/2020

Segundo Hippolyte Taine, filósofo francês, o homem é produto do meio em que vive. Sob essa ótica, aponta-se a Síndrome de Burnout, doença proveniente da exaustão profissional, como fruto da intensa exploração sofrida pelos trabalhadores, na contemporaneidade. Ademais, ela lesa a qualidade de vida desses indivíduos, gerando prejuízos físicos, psicológicos e emocionais.

Com o advento da Revolução Industrial, novas tecnologias e métodos produtivos alteraram, de forma inédita, a relação entre os patrões e empregados, o que resultou na hodierna extorsão do proletariado. Nesse sentido, essa parcela da população é agudamente mazelada e exaurida, fomentando o desenvolvimento da patologia aludida, mediante o desrespeito ao limite entre bem-estar e produtividade dos subordinados, por parte dos gestores que visam apenas o lucro máximo. Dessa forma, é perceptível o liame entre o abuso dos empregadores e os casos de Burnout.

Além disso, o distúrbio supramencionado pode resultar na aparição de outras moléstias mentais, como a depressão e a ansiedade, devido ao desgaste psíquico consequente. Exemplo disso, no episódio “15 milhões de méritos”, da série Black Mirror, a personagem principal atenta contra a própria vida, após anos de trabalho análogo às condições referidas. Além da ficção, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que os suicídios associados à Burnout crescem a cada ano. Portanto, é indubitável o óbice apresentado por essa síndrome à vida plena e saudável dos seres humanos, por serem intensamente flagelados pela ganância empresarial.

Em suma, medidas são necessárias para mitigar as problemáticas levantadas. Logo, a OMS deve conscientizar os Chefes de Estado da importância de existirem legislações trabalhistas que visem a ampla saúde mental dos trabalhadores. Isso ocorrerá por meio de uma conferência mundial, com palestras e debates, com o objetivo de reduzir o esgotamento corporal e intelectual ligado à vida profissional. Com efeito, espera-se que o homem seja produzido em um meio propenso à higidez, e não à Síndrome de Burnout.