Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 21/10/2020

Desde meados do século XX, com a intensificação do processo de industrialização no Brasil, as cargas laborais excessivas são constantes entre a classe trabalhadora urbana. De forma análoga, nos dias atuais, esse fenômeno vem se agravando de forma alarmante e levando muitos brasileiros a desenvolverem a síndrome de Burnout, a qual se manifesta por meio do esgotamento físico e mental. Isso se deve não só ao descaso governamental como à negligência dos empregadores para com a saúde dos seus funcionários.

Deve-se pontuar, de início, que, não obstante inúmeros dispositivos legais, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), versarem sobre limites de carga horária laboral diária, poucas são as ações estatais visando à fiscalização quanto ao seu cumprimento. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos naturais e o bem-estar social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Desse modo, grande parte dos profissionais são submetidos a jornadas abusivas dentro e fora do ambiente de trabalho, sem que haja qualquer punição a seus empregadores. Com isso, problemas como insônia, pressão alta e depressão tornam-se cada vez mais comuns na vida do trabalhador brasileiro.

Ademais, faz-se mister ressaltar a falta de atenção dos gestores e colegas de trabalho para com o estado mental dos seus subordinados e pares, como um potencializador dessa problemática. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende que, na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez, e a efemeridade das relações humanas. Partindo desse pressuposto, nota-se que a falta de empatia é um aspecto marcante das relações interpessoais no trabalho, limitando a  identificação de casos de indivíduos em processo de esgotamento e portadores da síndrome de Burnout. Assim, a ausência de diagnóstico e suporte impedem a reversão desse processo e contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.

Dessarte, a fim de mitigar a recorrência da síndrome de Burnout entre os trabalhadores brasileiros, necessita-se que as empresas públicas e privadas desenvolvam programas regulares de acompanhamento físico e psicológico dos seus funcionários. Tal ação deve ser concretizada por meio de avaliações mensais dos profissionais por equipes de psicólogos e incentivo à prática de atividades físicas. Espera-se, com isso, detectar e reverter possíveis casos de esgotamento mental e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores no país.