Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 22/10/2020
O filme “Regras não se aplicam”, aponta ao telespectador as idiossincrasias da sociedade Hollywoodiana nos anos 50. Dentre elas, destaca-se o esgotamento físico e mental do cidadão em virtude do mercado trabalhista. Fora da ficção, embora o Brasil possua uma das mais avançadas legislações do mundo, tal fato, também conhecido como Síndrome de Burnout, é evidenciada em seu âmbito socioeconômico contemporâneo. Diante disso, a herança histórica do país associada a ineficiência do Estado, faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
A priori, o legado histórico, de que a ascensão econômica é intrínseca ao bem-estar individual, corrobora para a Síndrome de Burnout. Nesse sentido, o filósofo Claude Lévi-Strauss, defende que só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Logo, considerando o período colonial do Brasil, percebe-se que os brasileiros estão incorporados, desde a antiguidade, a uma sociedade que promove a ascensão econômica para o alcance do bem-estar. Desse modo, a partir dessa premissa, o indivíduo se submeterá a jornadas exaustivas no trabalho, e, por fim desencadeará a sua sobrecarga e o seu stress.
Paralelo a isso, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis do indivíduo, como o lazer e o bem-estar. No entanto, é indubitável o rompimento desse contrato quanto a saúde mental no setor trabalhista brasileiro, visto que segundo a International Stress Management Association (ISMA), aproximadamente 30% dos cidadãos apresentam a Síndrome de Burnout. Ou seja, sofrem de distúrbios emocionais resultantes da ausência de lazer, como depressão, ansiedade, e insônia. Desse modo, é notória a ineficácia estatal na integração do bem-estar para toda a população.
É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para inibir o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional. Sendo assim, é fundamental que o Ministério da Educação e da Cultura desenvolva vídeos curtos que relatam estilos de vida de várias pessoas que alcançaram o bem-estar emocional, e, divulgue-os por intermédio das mídias sociais, com o objetivo de desmistificar a premissa da ascensão econômica. Ademais, cabe ao Poder Legislativo desenvolver uma lei, na qual torne obrigatório o acompanhamento psicológico de todos trabalhadores. Esse acompanhamento deve ocorrer por meio de consultas semestrais, afim de verificar a ocorrência da Síndrome de Burnout, e auxiliar na saúde mental do cidadão. Dessa maneira, a cidadania será gozada plenamente por todos.