Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 22/10/2020
O filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, é uma trama que retrata a vida de um operário no período da Revolução Industrial, cujo estado mental encontra-se esgotado - confundindo botões com parafusos - por conta da rotina exploratória e carga de horário intensa. Embora as condições contemporâneas de trabalho tenham progredido desde então, a obra ainda reflete uma perspectiva fiel dos grandes impactos vindos do esgotamento físico e mental. Dito isto, é de extrema relevância a mobilização do governo juntamente às cooperativas privadas, a fim de garantir a preservação da qualidade de vida do trabalhador brasileiro.
Em primeira análise, vale ressaltar a exploração dos funcionários por parte de grandes empresas detentoras de poder, ao criarem metas lucrativas inatingíveis, pressionando os trabalhadores a seguirem cargas de horário abusivas. O empresário bilionário chinês, Jack Ma, defende o “sistema 996” que prevê 12 horas de trabalho por dia, das 9 da manhã até 9 da noite, 6 vezes por semana. Desse modo, torna-se evidente as imposições sobre os operários, acarretando para um círculo vicioso: o sobrecarregamento físico e mental dos empregados cria um estado alarmante de desânimo, desorganização e cansaço excessivo, corroborando para a improdutividade dos mesmos, o que muitas vezes é motivo de demissão. Nesse sentido, segundo a ISMA, em 2010, a baixa produtividade consequente do esgotamento gerou um prejuízo de 3,5% no PIB brasileiro.
Por outro lado, é notório a ausência da cultura do autocuidado, cujo intuito é garantir o conciliar a vida pessoal com o trabalho, de modo saudável. Desse modo, a ausência de uma atividade prazerosa no cotidiano da população pode contribuir para a geração de diversos transtornos mentais, como a Síndrome de Burnout, ansiedade e depressão.
Em suma, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Trabalho devem agir juntos. A priori, é necessário criar um sistema de fiscalização restrito, por meio de investimentos, visando garantir as condições adequadas de trabalho, e penalizando as empresas que tiverem cargas de horários abusivas. Também, é válido a criação de campanhas e propagandas estimulando o autocuidado da sociedade, incentivando atividades de lazer, a fim de amenizar os impactos mentais. Com isso, será possível romper com tal círculo vicioso e conciliar o trabalho com a vida pessoal.