Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 26/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a Síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto pela busca de ascensão econômica e social, provocada pela pressão capitalista, quanto pela sobrecarga gerada por meio da influência tecnológica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Hodiernamente, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 33 milhões de brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout. No entanto, tal estimativa tende a uma crescente linear, visto que, com a globalização e a corrida capitalista por ela provocada, é cada vez mais comum as pessoas viverem em prol de suas vidas profissionais, visando um crescimento socioeconômico e uma consequente melhoria de vida. Contudo, a incansável corrida para o sucesso tende ao fracasso, uma vez que a dedicação integral acaba deixando para segundo plano os momentos de lazer e até mesmo cuidados com a própria saúde, estabelecendo déficits na vida pessoal do individuo, refletidos em sintomas como esgotamento físico e mental, insônia, dores de cabeça e até depressão, todos comuns à Síndrome de Burnout.
Faz- se mister, ainda, salientar a sobrecarga gerada por meio da influência tecnológica como impulsionadora do problema. Com a revolução industrial, introduziu-se o processo de mecanização no meio laboral, possibilitando resultados em larga escala. Desde então, o continuo avanço tecnológico é progressivamente ligado à otimização do tempo. Todavia, a facilidade promovida pelo meio cibernético acaba concebendo uma ideia tóxica de produtividade, com consequências, na maioria das vezes, patógenas, ilustradas, por exemplo, na síndrome do esgotamento profissional. Tais consequências são resultado da intensa sobrecarga gerada pela extensa demanda de trabalho, esta justificada pela funcionalidade tecnológica.
Dessarte, com o intuito de mitigar o avanço da Síndrome de Burnout no meio laboral, necessita-se urgentemente que o Ministério do Trabalho, responsável por exercer funções essenciais para as relações trabalhistas, estabeleça leis que garantam a assistência médica periódica de funcionários, com o intuito de acompanhar e auxiliar o indivíduo na manutenção da sua saúde física e mental e, assim, prevenir a manifestação de sintomas relacionados à Síndrome do esgotamento profissional.