Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 13/11/2020
A Sociedade Disciplinar, segundo Foucault, trabalhava através de micro penalidades, as quais resultavam em repressões externas que moldavam o sujeito dentro do padrão de normalidade. Entretanto, hodiernamente são realizadas coerções internas que, ligadas à vida profissional, acarretam a Síndrome de Burnout, esta é causada não só pela auto exploração, mas também pela Sociedade do Desempenho.
De início, vale ressaltar uma das causas para a Síndrome de Burnout: o esgotamento físico. No mundo contemporâneo, o sujeito é o empreendedor de si mesmo, isso é, ele é o seu próprio chefe. Nessa perspectiva, de acordo com o texto ‘‘Exaustos e correndo e dopados’’, de Eliane Brum, a auto exploração profissional traz um falso sentimento de liberdade, visto que explorar a si mesmo é mais eficiente do que explorar o outro. Portanto, o excesso de trabalho torna o cidadão, cada vez mais, exausto e doente.
Ademais, na Sociedade do Desempenho, estudada por Byung-Chul Han, o indivíduo é multitarefa e precisa ter hiper atenção e hiper atividade, este vive em um ambiente no qual há a negação da existência do tédio. Outrossim, devido às coerções internas, o homem é o empreendedor de si mesmo e ao maximizar seus próprios resultados, ele vive com um cansaço crônico, se esgota mentalmente e adoece.
Diante disso, é notório que, quando relacionadas à vida profissional, a auto exploração e a Sociedade do Desempenho originam a Síndrome de Burnout. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o setor privado e o Poder Judiciário, orientar e garantir o bem estar dos trabalhadores, por meio da criação de novas leis - como horários de meio período de trabalho sem a diminuição dos salários -, a fim de que o trabalho não seja mais tão exaustivo e estes obtenham mais qualidade de vida. Assim, não haverão repressões externas feitas por meio das jornadas de trabalho, nas quais o cidadão trabalha muito e não tem tempo para lazer.