Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 27/10/2020

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, afeta cerca de 33 milhôes de brasileiros. Esse dado, tão alarmante e ainda desconhecido por muitos, representa o atual panorama, desgastante e patológico, de muitas das relações empregatícias estabelecidas no nosso país. Nesse sentido, deve-se ,inicialmente, avaliar como o modelo econômico vigente na atualidade e a falta de empatia podem contribuir para esse quadro negro em nossa sociedade.

Em primeiro lugar, cabe avaliar o contexto econômico em que estamos inseridos. O sistema capitalista, a qual, de acordo com o filósofo coreano Byung-Chul Han, cria uma “sociedade do desempenho”- cercada pela cobrança do meio profissional e do próprio âmbito individual pela alta performace constante, está levando muitos cidadãos a uma sobrecarga descomunal e inviável à pessoa humana. Desse modo, fazendo com que, muitas das vezes, adquiram a síndrome de burnout, que é seguida de vários sintomas físicos, como cansaço, e psicológicos, como a depressão.

Por conseguinte, a sociedade individualista, também influenciada pelo capitalismo, tende a busca por eficiência em detrimento do cuidado humano.De acordo com o imperativo categórico de Kant. o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Infelizmente, indo de encontro a isso, vê-se o grande distanciamento nas relações entre empregador-empregado, que impede a manutenção de um sentimento de corporação mais empático e humano, reforçando, ao contrário, um ambiente de disputa, altamente propício a síndrome de burnout.

Portanto, diante desses fatores socioeconômicos que impulsionam tal patologia, medidas devem ser, urgentemente, tomadas. Assim, o governo em parceria com o meio privado, deve promover o estabelecimento  obrigatório, nas empresas e companhias, de consultas com especialistas, como psicólogos, aos funcionários das corporações, por meio de incentivos fiscais que serão disponibilizados ao privado. Dessa maneira, com a disponibilização de atendimento profissional, eles possam enfrentar  da melhor forma as contrariedades da profissão. Por esse caminho, que não excluí outros, os dados mostrados pela OMS poderão tomar outro rumo, junto a atenuação da síndrome de burnout.