Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 30/10/2020

Uma pesquisa da International Stress Management Association revela que 30% dos trabalhadores sofrem da Síndrome de Burnout, caracterizada pelo excesso de trabalho. De maneira infeliz, esse quadro contrasta com a ética aristotélica, a qual afirma que o equilíbrio entre os exageros e as deficiências é fundamental para o homem ser feliz. Consequentemente, há uma deterioração da saúde tanto mental quanto física dos indivíduos e, por esses motivos, é relevante compreender aspectos que se apresentam como um empecilho para mitigar tal problemática: a falta do autocuidado e o uso desmedido das tecnologias para questões laborais.

A princípio, Sócrates enuncia a frase “Conheça a ti mesmo”, pela qual o filósofo adverte a necessidade do ser de conhecer seus limites e suas dificuldades. Assim, para o filósofo, há o reconhecimento da própria ignorância e a busca pelo conhecimento verdadeiro. Nesse sentido, o autocuidado como uma forma de autoconhecimento culmina numa compreensão acerca da importância da saúde mental e física por parte do indivíduo. Portanto, a valorização dos exercícios físicos, do lazer, da moderação da vida profissional, isto é, das formas de autocuidado, é uma maneira atenuar os efeitos da Síndrome de Bornout.

Ademais, é indiscutível que o advento da tecnologia provocou um aumento de horas destinadas ao trabalho por parte do profissional. Isso porque, apesar de estar fora do expediente, o trabalhador passa a lidar com assuntos laborais por meio de “emails”, mensagens ou telefonemas. Esse cenário colabora com a teoria existencialista de Heidegger, pela qual ele explica que o homem, ao se deparar com as adversidades do mundo real, tem seu plano de vida prejudicado, podendo viver em angústias. Depreende-se, logo, que a tecnologia apresenta-se como um obstáculo na visão heideggiana para o indivíduo, o que pode torná-lo infeliz e sobrecarregado psicologicamente.

À vista dos argumentos abordados, conclui-se que o equilíbrio da vida profissional está intrinsicamente ligada ao autocuidado e à moderação da tecnologia para o trabalho. Para tanto, o Ministério do Trabalho e as empresas privadas, em conjunto, devem estabelecer diretrizes quanto ao trabalho virtualmente dos funcionários fora do horário de serviço, com o objetivo de proporciona-lhes um maior tempo para o lazer e, em sequência, para a preservação da própria saúde. Desta maneira, tal medida converge para o combate à Síndrome de Burnout e para a felicidade proposta pelo filósofo Aristóteles.