Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional

Enviada em 03/11/2020

De acordo com a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), a promoção da saúde e do bem-estar é essencial ao fomento das capacidades humanas. Todavia, tal perspectiva não se realiza por completo, pois o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional, conhecido como Síndrome de Burnout, é uma grave realidade no cenário hodierno. Tal situação é corroborada, sobretudo, pelo predomínio da busca excessiva por produtividade nas empresas, em detrimento do bem-estar do trabalhador, além do exagerado fluxo de informações no mundo virtual.

Em primeiro plano, observa-se que a busca pelo lucro é acompanhada, em muitas empresas, pela indiferença, por parte dos gestores, quanto à saúde física e mental dos funcionários. Nesse viés, o sociólogo Karl Marx, na obra ‘‘O Capital’’, ressalta a exploração sofrida pelos operários no contexto da Revolução Industrial, no século XIX, marcada pelo domínio burguês. Sob esse prisma, no cenário atual, tais relações conservam características similares, o que é exemplificado pelos casos de distribuição desigual de tarefas e de exercícios autoritários de liderança, capazes de provocar intenso esgotamento físico e mental aos trabalhadores, que sentem-se sobrecarregados no exercício de seus ofícios. Desse modo, torna-se claro que a demanda excessiva por maior produtividade, visando à ascensão econômica empresarial é, frequentemente, nociva ao bem-estar dos funcionários.

Ademais, o fluxo exagerado de informações nas mídias digitais impacta diretamente a temática em pauta. Nesse sentido, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, o filósofo Zygmunt Bauman destaca que o mundo moderno é caracterizado pela fragilidade das relações sociais, em razão da velocidade de propagação das novas tecnologias informacionais. Diante disso, o indivíduo, ao permanecer conectado ao meio digital, fora do ambiente de trabalho, continua vinculado ao seu empregador, mantendo-se suscetível ao recebimento de ordens ou críticas a respeito do seu desempenho. Dessa maneira,  ao sentir-se pressionado nos momentos que seriam destinados ao descanso, o trabalhador adquire graves chances de esgotamento físico e mental, constatando-se a gravidade da situação.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em questão. Logo, a fim de melhorar as relações entre gestores e funcionários, cabe às empresas o desenvolvimento de novos métodos de gerenciamento de produtividade que estejam em harmonia com o bem-estar do trabalhador. Isso deve ocorrer mediante a contratação de psicólogos organizacionais, tendo em vista a necessidade do diálogo entre os componentes dos variados setores da corporação. Outrossim, cabe aos empregadores diminuírem a cobrança aos empregados no mundo virtual para, finalmente, tornar possível efetivar os elementos supracitados pela Agenda 2030.